Pesquisadores da UFF estão entre os vencedores do Jabuti

Apesar de enfrentar uma profunda crise orçamentária, a Universidade Federal Fluminense (UFF) tem um bom motivo para celebrar 2015, ano em que completa 55 anos de fundação. A área de História da universidade conquistou três primeiros lugares no Jabuti, a mais tradicional premiação literária do país. O professor e pesquisador Daniel Aarão Reis venceu na categoria Biografias, com “Luís Carlos Prestes — Um revolucionário entre dois mundos”. Maria de Fátima Gouvêa, já falecida, também conquistou o primeiro lugar na categoria Ciências Humanas por “O Brasil Colonial”, livro publicado com o professor João Fragoso, da UFRJ. Por fim, Pedro Henrique Pedreira Campos levou o Jabuti na categoria Economia, Administração, Negócios, Turismo, Hotelaria e Lazer por “Estranhas catedrais”, obra que surgiu de sua tese de doutorado defendida na UFF em 2012.

— (A premiação) É um alento para as universidades públicas, em meio ao contexto nacional, com esse ajuste que vai onerar principalmente setores mais frágeis. Mostra que, mesmo com todas as dificuldades impostas pelas amarras da administração pública no Brasil, se faz muita pesquisa de qualidade — avalia Pedro Henrique Pedreira Campos.

GOVERNO E EMPREITEIRAS: RELAÇÃO HISTÓRICA

Autor de estudo sobre as relações obscuras das empreiteiras brasileiras com o governo militar, publicado pela Eduff com incentivo da Faperj, Campos vê no prêmio a oportunidade de se debater aquele período histórico e os mecanismos políticos e econômicos que continuam favorecendo empreiteiras, que estão no centro dos recentes escândalos de corrupção deflagrados pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

— No livro, mostro que empresários se envolveram com os militares que participaram da repressão. Isso precisa ser divulgado. Tivemos passeatas que defendiam a volta da ditadura. É importante que trabalhos como este cheguem às pessoas. Esse tipo de opinião só pode ser fruto do desconhecimento — conclui.

Nos corredores da UFF, Daniel Aarão Reis, professor de História vencedor do Jabuti na categoria Biografias – Freelancer / Agência O Globo
O professor Daniel Aarão Reis, por sua vez, debruçou-se por cinco anos e meio sobre a vida de Luís Carlos Prestes, importante figura do Partido Comunista do Brasil, o Partidão. Com boa receptividade de público e crítica, a biografia tem o mérito de ser o primeiro levantamento equilibrado a contemplar toda a vida do político, morto há 25 anos:

— Atingi vários tabus da historiografia. Consegui mostrar que esses tabus não se justificavam. Evitei também a demonização. A biografia conseguiu realmente encontrar o equilíbrio entre a demonização e a celebração, a hagiografia.

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Além daqueles que ainda mantêm viva na memória a trajetória de Prestes, Reis comemora a crescente adesão do público jovem. Para o historiador, o reconhecimento da obra não tem só a ver com o biógrafo, mas também com o biografado.

— A curiosidade pela História vem aumentando nos últimos 20 anos. No momento em que nossos líderes parecem não ter princípios e mudam ao sabor dos interesses, Prestes é merecedor de atenção. Foi um homem que sempre assumiu seus compromissos, fiel às suas convicções — afirma Reis.

A cerimônia de entrega do Jabuti ocorre na próxima quinta-feira, quando serão conhecidos os vencedores de suas duas principais categorias, Livro do ano de ficção e Livro do ano de não-ficção.

Fonte: O Globo
Foto: Fernanda Dias / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior