Pela primeira vez, Festival do Rio não terá apoio da Prefeitura

A 19ª edição do Festival do Rio (5 a 15 de outubro) vai exibir 250 filmes de mais de 60 países (veja a programação completa, divulgada nesta quarta-feira) — um número semelhante ao de 2016, e bem inferior em relação a anos anteriores, quando até 500 títulos foram escalados. A redução, segundo a organização, tem a ver com a necessidade de deixar a programação mais compacta, mas também foi influenciada pela crise.

Pela primeira vez, o evento não conta com apoio direto da Prefeitura, que, por sua vez, também culpa a economia. Em nota, no entanto, o governo municipal ressalta que o festival desistiu de usar R$ 250 mil captados via Lei do ISS, que permite obter recursos por meio de renúncia fiscal do imposto sobre serviços.

Já o festival explica ter aberto mão dos R$ 250 mil acreditando que receberia apoio direto da Prefeitura, uma vez que, segundo um decreto publicado após a posse de Marcelo Crivella, no começo do ano, projetos culturais executados pela Secretaria Municipal de Cultura não poderiam ser contemplados com recursos de outras fontes da Prefeitura.

“Acreditamos que teríamos o apoio e patrocínio da Prefeitura, que esteve junto da construção e solidificação nacional e internacional do evento durante toda a sua existência, ao longo de 20 anos. Apesar de tudo, ainda esperamos que o governo tenha a sensibilidade de rever esta posição”, afirmou o Festival do Rio, em comunicado.

As sessões de gala da Première Brasil voltarão ao Lagoon, depois de ocuparem o Roxy, em Copacabana, por causa da Olimpíada. Já a programação internacional, espalhada por cerca de 20 salas do Rio, conta com filmes que mobilizaram festivais mundo afora. Entre os destaques, estão os novos filmes de Ildikó Enyedi (“Corpo e alma”, Urso de Ouro em Berlim) e Robin Campillo (“120 batimentos por minuto”, Grande Prêmio do Júri em Cannes).

— Mas também daremos atenção a filmes que não necessariamente o público ouviu falar, como “Terra selvagem”, de Taylor Sheridan, e o genial “Patti Cake$”, destaque em Sundance — afirma a diretora do festival, Ilda Santiago.

Uma novidade desta edição são as atrações musicais, que ocupará o Teatro Rival com três noites de shows. Entre os artistas confirmados, estão Alcione, Zélia Duncan e Silvia Machete. A nova programação é parte dos esforços do festival de oferecer aos cariocas um novo modelo de experiência, influenciado pelo festival South by Southwest, no Texas.

— Se existe algo que viaja o Brasil é a música. Sempre achei que faltava isso. Não estamos mudando o perfil do festival, e sim ampliando os seus horizontes — conclui Ilda.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior