Olha só quem bate as portas do transporte no Rio: É o Tuk-tuk. Aquele triciclo bem comum em alguns países da América Latina e da Ásia, como a Índia. Quem se apresenta como pioneiro no ramo é o mototáxi Wilson de Oliveira, de 56 anos, que há duas semanas oferece informalmente passeios turísticos na Urca. Até três passageiros, acomodados no banco traseiro, podem desfrutar de uma volta — R$ 15 a cabeça — por um dos bairros mais calmos e charmosos da cidade.
– Isto é o tuk-tuk. Gostou? – pergunta o piloto do veículo a um motociclista que emparelha no sinal e admira a novidade.
Por onde passa, Wilson se acostumou a chamar a atenção. A cor do veículo, amarela vivo, contribui. Pequeno, o tuk-tuk não tem problemas para romper pelas ruas estreitas do bairro. Para o passageiro a vantagem em relação aos veículos comuns é a possibilidade de parar com mais facilidade nos pontos turísticos e fazer uma foto.
– Eu aprovo. É muito prático. Já andei de tuk-tuk na Índia – observa a psicóloga Raquel Paes, surpresa ao ver Wilson passar em frente à estação do bondinho do Pão de Açúcar.
Há mais de dez anos, Wilson sonhava em adquirir um tuk-tuk, depois de ver um modelo em um filme. Descobriu recentemente que um fabricante de carrocerias em São Paulo havia lançado a versão nacional, com motocicleta acoplada à parte frontal. Conseguiu convencer o irmão que mora na Alemanha a emprestar o dinheiro. Negociou a compra de um exemplar por R$ 17 mil, com desconto de R$ 3 mil. Morador na Tavares Bastos, no Catete, o motociclista só não acredita que o veículo possa ser usado em substituição aos cabritinhos (kombis ou vans) e motocicletas nas favelas mais altas.
– Tenho dificuldades para subir até em casa com o meu tuk-tuk. É melhor para regiões menos inclinadas – opina ele, que opera apenas nos fins de semana, na Urca. Nos dias úteis, com sua motocicleta tradicional, entrega documentos.
Mas Wilson não resiste à vontade de guiar o seu tuk-tuk. Todos os dias entre 18h e 22h, faz ponto na Rua do Catete, próximo ao Largo do Machado. Orgulhoso, explica a todos como funciona o modelo.
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– A minha ideia é largar o serviço de entrega e só trabalhar com o turismo. Gosto de prestar serviço à terceira idade. Os mais velhos adoram a novidade – conta ele.
O único inconveniente para atuar no turismo, explica Wilson, é não falar outro idioma. Por enquanto, tem improvisado, ulilizado mais os gestos quando o passageiro é de fora. No passeio do tuk-tuk, porém, atrações não faltam para o viajante. A partida acontece na Avenida João Luís Alves, próximo à Fortaleza de São João, segue pela orla, passando pelo prédio do antigo cassino e – o ponto alto – pelo prédio do Rei Roberto Carlos.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior