Num momento de crise na economia e na segurança pública, a missão de assumir a presidência de uma associação comercial não parece fácil. O advogado José Nelson Carrozzino, de 72 anos, porém, garante que o quadro atual não o assusta. Segundo o novo presidente da Associação Comercial e Industrial de Jacarepaguá (Acija), a crise é o momento em que as empresas devem crescer. Membro da instituição há mais de 40 anos e seu atual benemérito, Carrozzino assumirá o cargo oficialmente numa cerimônia marcada para o próximo dia 4.
Sou filho de Jacarepaguá. É uma região que precisa cada vez mais de seus moradores, principalmente dos empresários, que tradicionalmente participam do desenvolvimento comercial dos bairros. Tenho larga experiência no assunto e acredito que possa ajudar. Historicamente, o desenvolvimento de Jacarepaguá está intrinsecamente ligado à Acija.
Quais são os seus principais desafios?
Houve decréscimo no número de associados por causa da crise, já que muitos lugares fecharam. Nossa maior apreensão é o fato de grandes empresas estarem saindo daqui por causa da violência. Recentemente tivemos os casos da Johnson e da Fink, que ficavam perto da Avenida Comandante Guaranys, foco de problemas por causa da expansão do tráfico até uma comunidade que surgiu ali. O trabalho é não só atrair novos associados, mas também manter os existentes. Com a queda do petróleo, Jacarepaguá é o primeiro polo arrecadador do estado. Temos várias empresas de porte, uma importância muito grande.
A Acija vai oferecer novos benefícios aos associados?
Sim. Começaremos novos cursos de capacitação para funcionários das empresas, com o objetivo de aprimorar o atendimento ao cliente. Também teremos um curso de planejamento estratégico. Apesar de vivermos num país imprevisível, é preciso ter planejamento a longo prazo. Vamos sempre trazer especialistas do meio empresarial para dar palestras. Outra novidade será a assistência contábil gratuita. Hoje já temos alguns benefícios, como atendimento jurídico e convênios com faculdades e escolas. Eu digo que é na crise que precisamos crescer. Só sairemos desse quadro se trabalharmos mais. É fundamental admitir mais pessoas e melhorar os serviços.
Nos últimos anos, a Acija acompanhou de perto o problema da violência, inclusive com um comitê que atuava junto à polícia para mapear quadrilhas de invasores de terra. Como está essa situação hoje?
A violência continua, e as invasões estão aumentando, apesar da cooperação da ordem pública. Os invasores têm uma organização muito maior, é preocupante. Às vezes derrubam uma construção de dia e à noite já levantam-na de novo. O caso da Comandante Guaranys é simbólico, porque foi uma comunidade que surgiu rapidamente e pouco tempo depois já tinha tráfico. As empresas próximas sofrem muito. Na Praça Seca também está um absurdo. Tanque, Taquara, Freguesia… Todos os lugares têm problemas. Afeta muito o comércio, porque as pessoas deixam de circular nas ruas, e o consumo cai.
O que pode ser feito para ajudar?
Quero fazer reuniões com as autoridades policiais. Nós já os apoiamos bastante; doamos equipamentos para os batalhões e delegacias, de computadores e câmeras a papel higiênico. E vamos continuar ajudando. Os associados cooperam muito. O reforço da Guarda Municipal (o bairro ganhou mais 64 agentes e deverá receber outros 60 até setembro) deve ajudar também.
Há um projeto de colocar um funcionário da Acija no Centro Integrado de Comando e Controle do estado somente para monitorar as câmeras de Jacarepaguá, certo?
Sim, é o nosso plano. O acordo com a Secretaria de Segurança já foi assinado. Falta colocar em prática.
Outra reclamação constante de moradores é o trânsito da região. Isso também afeta o comércio.
Com certeza, em certos momentos o trânsito é caótico. A Freguesia teve um grande crescimento de população, com muitos condomínios novos. E a Taquara recebeu vários prédios comerciais.
Como é o diálogo com a nova administração da prefeitura?
É bom. Conseguimos uma sala para a Superintendência de Jacarepaguá, inclusive, e doamos equipamentos. O prefeito disse que vai nos visitar em julho. Vamos levar a ele reivindicações de melhorias no trânsito e no controle da ordem urbana, principalmente do comércio informal. E também a finalização de obras que foram abandonadas, como a da Clínica da Família.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Zeca Gonçalves / Agência O Globo