Novas exposições chegam ao MAC

Em 1968, Regina Vater foi convidada para produzir a capa do disco “Tropicália ou Panis et Circensis”, de Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil com Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé. Por alguma razão que até hoje a artista desconhece, o trabalho dela foi substituído pelo de Rubens Gerchman, versão que ficou conhecida. A partir de amanhã, porém, a capa até então desconhecida poderá ser vista no MAC. A obra faz parte de uma das três novas exposições que vão ocupar a varanda e o salão principal do espaço e que têm a música como fio condutor.

“Oxalá que dê bom tempo”, de Regina; “Versão oficial”, de Bruno Faria; e “Don’t you (Forget about me)”, de Rafael Alonso, todas com curadoria de Pablo León de La Barra e Raphael Fonseca, poderão ser visitadas até 18 de fevereiro.

— As exposições dialogam de diferentes maneiras, mas a principal delas é música — diz Fonseca, adiantando que o público terá à disposição dois toca-discos e fones de ouvidos para escutar um som. — Regina Vater experimentou diferentes linguagens, como desenho, gravura, pintura, fotografia, escultura, vídeo e instalação. O Bruno levará ao museu 88 vinis cujas capas foram feitas por artistas brasileiros entre os anos 1960 e 1990. E o niteroiense Rafael Alonso estará com “Don’t you (Forget about me)”, título de uma das canções da banda Simple Minds. Ele usou imagens digitais e as imprimiu em formato de pôster.

Bruno Faria, de Recife, expõe pela primeira vez em Niterói. Ele pesquisou por dois anos discos que tiveram as capas elaboradas por artistas, fugindo daquelas tradicionais, ilustradas com imagens dos próprios cantores. A essa parte da mostra, ele deu nome de “Introdução à história da arte brasileira”. “Versão oficial”, na verdade, é o que conecta o trabalho de Faria com o de Regina Vater, justamente por tratar do episódio da capa do disco feita pela artista preterida pela gravadora.

— Mostro uma convergência entre artes visuais e a música. A gravadora encomendou a capa à Regina, mas usaram outra quando o disco foi lançado. Ela tinha perdido a versão original e fizemos, agora, uma reprodução, que é superinteressante graficamente e muito diferente da versão do Rubens — diz.

Segundo Faria, Regina só descobriu que a capa utilizada não tinha sido a dela no momento em que o disco foi lançado.

Morador de Santa Rosa por 15 anos, Rafael Alonso tinha o costume de dirigir por Niterói escutando rádios que tocam músicas antigas. Então, ao ser convidado pelos curadores para expor na varanda do MAC, ele quis transpor para as suas gravuras, com traços geométricos, a vista do Baía de Guanabara e a lembrança das canções.

Paixão e inspiração

A Sala Carlos Couto também está com uma nova mostra: “Palhaçada”, em que o artista plástico e cenógrafo Joel d’Castro retrata sua paixão pelo mágico mundo circense. A exposição quer enfatizar que todo palhaço, famoso ou não, expressa a alegria que o artista traz de dentro para fora.

Já o Espaço Cultural Correios receberá a partir do dia 28 a exposição “Paulo Bittencourt — Lugares e cores”, mostra inspirada na cultura brasileira e marcada pelo colorismo.

— Não tive escola de arte; apenas retrato o que vejo — diz Bittencourt, enfatizando que o Nordeste é sua principal inspiração.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior