Se nas escolas de samba, as fantasias muitas vezes precisam de legenda para serem compreendidas, a criatividade dos foliões nas ruas costuma ir direto ao ponto, sempre com muito bom humor e temas atuais. No último fim de semana de pré-carnaval, teve fantasia de muro de Trump, Luma de Oliveira com Eike pobre, caveiras que “enfim se aposentaram” e muitas outras. (CONCURSO DE FANTASIA: Caprichou no visual? Mande uma foto e se inscreva aqui)
A historiadora Rosa Maria Araújo conta que sempre foi assim: enquanto o desfile das escolas de samba é algo sofisticado, que remete aos atos de uma ópera, o carnaval de rua é mais simples, sarcástico e circunstancial:
— As escolas de samba são cada vez mais sofisticadas. O povo gosta de luxo. É necessário mais elaboração. Precisa conhecer a história do enredo para entender. O bloco é uma brincadeira. Outro espírito.
Vencedor duas vezes do concurso de fantasia de grupo do Prêmio Serpentina de Ouro, promovido pelo GLOBO, o engenheiro Bernardo Afonso saiu este ano com os amigos fantasiados de Beyoncé grávida. A ideia surgiu do sucesso da foto da cantora mostrando a barriga de gêmeos no Instagram:
— Na rua, é fundamental a falta de vergonha.
Há oito anos, o concurso de fantasias do baile do Trapiche Gamboa pegou emprestada a tradição dos concursos de luxo para reverenciar a criatividade das ruas. Bonecas namoradeiras e galinha preta pintadinha foram alguns dos vencedores, mas a que levou o prêmio de lavada foi um casal de homens vestido de Venus e Serena Willians, com a raquete de matar mosquitos, novidade na época.
— Uma sátira atual aliada ao inusitado faz mais sucesso. É quando você olha e diz: ‘nossa, como essa pessoa criou isso!? — diz Cláudia Melo Alves, dona do Trapiche Gamboa.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta junior
Foto: Fernando Maia/Riotur