Fios expostos, bancos quebrados, pneus carecas. A má conservação dos ônibus, por si só, denuncia o descaso. No entanto, muitos já deveriam estar fora de circulação, segundo relatório da Secretaria municipal de Transportes. A planilha, com dados de julho, revela que 661 ônibus da cidade precisariam ter sido “aposentados” por ultrapassarem os oito anos de vida útil, tempo máximo de operação, segundo o contrato de concessão assinado em 2010. O número equivale a 9% dos 7.240 coletivos de linhas regulares da cidade. Não entram nessa conta os veículos articulados do BRT nem os chamados “frescões”, cuja vida útil é de dez e 20 anos, respectivamente.
De cada dez coletivos com prazo vencido, seis operam na Zona Oeste através dos consórcios Santa Cruz e Transcarioca. O primeiro concentra 209 ônibus acima do tempo limite, enquanto o segundo tem 196 coletivos. Na mesma região, estão as linhas com mais reclamações de passageiros relacionadas à conservação, como as de número 822, 865, 821, 361 e 891, que encabeçam o último ranking do município, com dados relativos a março, abril e maio deste ano. Na Zona Norte, operam 174 coletivos acima do prazo estabelecido e, na Zona Sul, há 82.
Há dois anos, reportagem publicada pelo “Extra” apontava 534 ônibus em circulação “fora da data de validade”, o equivalente a 6% da frota total à época. Ou seja, de lá para cá, houve um aumento desse tipo de situação. E o consultor em engenharia de transportes Horácio Augusto Figueira alerta para os perigos da idade avançada dos ônibus:
— Manter veículos antigos circulando pode aumentar a probabilidade de falhas mecânicas e gerar acidentes, o que, para mim, é um crime.
Uma equipe do GLOBO embarcou, ontem de manhã, no ônibus placa KWN 2538, da linha 865, e encontrou muita sujeira, bancos descolados e barra de apoio solta. Mal dava para ficar em pé segurando na barra, já que, solta, não oferecia segurança. Sentado, o usuário tremia tanto, supostamente por causa de parafusos frouxos, que era preciso segurar nas paredes e no apoio do banco da frente. Além disso, a última vistoria do coletivo é de 2016 e, segundo um funcionário, se for inspecionado este ano será apreendido por que o prazo de uso já venceu. O ônibus é de 2010.
— É um desrespeito — disse a dona de casa Ana Paula Sampaio, moradora de Jacarepaguá.
Em nota, a Secretaria municipal de Transportes informou que existe um procedimento em andamento para compelir os consórcios a observarem o tempo de vida útil do contrato. Já o Rio Ônibus,disse que “os números de vida útil da frota apontados pela reportagem não refletem a realidade do sistema” . Apesar de terem sido excluídos do cálculo frescões e BRTs, o sindicato afirma que não foram considerados “os diferentes tipos de veículos com tempos de vida útil distintos”
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior