Terça-feira não costuma ser um dia destinado a lançamentos nas salas de exibição, mas esta foi a data escolhida pela prefeitura para apresentar o projeto “Niterói: Cidade do Audiovisual”, uma co-produção do município com o Ministério da Cultura e a Ancine, no Centro Petrobrás de Cinema, em São Domingos. O plano é aberto: reúne um conjunto de sete iniciativas que pretendem transformar a cidade no maior polo brasileiro de produções para cinema e televisão. O principal atrativo para o segmento neste cenário é um programa de fomento, com editais para longas, médias e curtas-metragens, que demandará um orçamento anual de R$ 6 milhões.
O valor será dividido igualmente entre a prefeitura e a agência reguladora. O evento contou com as presenças do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, e do cineasta Cacá Diegues. No encontro, também foram anunciados investimentos para a conclusão das obras do Centro Petrobrás de Cinema, como reforma na sala multiuso do térreo, a instalação de equipamentos e a criação de um centro tecnológico de pós-produção e capacitação, que ficará no primeiro piso do prédio projeto por Oscar Niemeyer, além de patrocínio para a programação. Foi anunciada ainda a criação de um museu interativo do cinema, o primeiro do gênero no país, localizado no primeiro piso. A iniciativa foi viabilizada graças a uma emenda de R$ 1,5 milhão do deputado federal Chico D’Angelo (PT).
O prefeito Rodrigo Neves (PV) destacou que Niterói tem uma vocação natural para o audiovisual, garantiu que o projeto é sólido e veio para ficar.
— Niterói tem a primeira faculdade de cinema do pais, que é o da UFF. Somos uma cidade com uma grande riqueza de cenários e belezas naturais, como lagoas, serra, rios e praias, elementos que não são facilmente encontráveis em uma cidade de região metropolitana. Os cariocas gostam de dizer que o que Niterói tem de melhor é a vista para o Rio. Mas eu digo que Niterói tem tudo o que o Rio tem, e ainda tem a vista para o Rio — afirma.
O ministro Sérgio Sá Leitão elogiou a maneira como a cidade conduz a política cultural.
— A cultura é um vetor de desenvolvimento econômico e inclusão social. O prefeito entende isto, o que provocou uma boa sintonia para que pudéssemos dar andamento a este projeto. E o melhor é que não estamos inventado nada: Niterói tem mesmo essa vocação para o audiovisual. Só faltava um empurrão, produzir algo impactante, capaz de produzir resultados já no curto prazo — afirma.
O prefeito prometeu ainda apresentar na próxima semana uma mensagem à Câmara Municipal, pedindo a redução da alíquota de ISS cobrado do setor, de 5% para 2%, uma medida de incentivo. O programa contempla também a criação do Niterói Film Fest Comission, um órgão para incentivar e apoiar a produção audiovisual na cidade.
FESTIVAL NO PRIMEIRO SEMESTRE
Um festival internacional de cinema, que promete valorizar também outros tipos de produções audiovisuais, como séries, webséries, vídeos por demanda e programas de televisão, com um investimento de R$ 5 milhões, está previsto para o primeiro semestre de 2018. Embora não tenha revelado o caráter do evento, o prefeito garantiu que o festival será diferente dos que já existem pelo país.
— Não queremos concorrer com os festivais de Gramado (RS) e Paulínia (SP). Nosso festival terá uma característica diferente porque, além de reunir a produção cinematográfica, o objetivo é reunir todo o conjunto do audiovisual. Temos que olhar para o futuro com um pouco mais de esperança — explica Rodrigo Neves.
Cacá Diegues afirmou ter se emocionado ao chegar o evento e ver a inscrição “Niterói: Cidade do Audiovisual”. O cineasta listou as dificuldades enfrentadas pelo setor no pais. Mesmo com elas, o Brasil produziu 143 longas-metragens em 2016, número que pode chegar a 160 esse ano.
— É uma produção muito significativa. A criação da imagem deve ser a alma do país. Nós não estamos criando um cinema para o país, mas um país para o cinema. Nós não somos uma atividade protegida pelo estado, mas uma atividade que defende o estado, porque damos a ele muito mais do que nos é oferecido por meio de impostos, uma vez que impulsionamos a arrecadação — analisa.
Até o fim do ano, a oferta de salas de cinema na cidade ainda deve aumentar: está prevista a inauguração de um novo conjunto salas no Itaipu Multicenter, na Região Oceânica.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Hermes de Paula / 13-01-2016