Você já deu bom dia ou boa tarde a um gari? Mesmo presentes no dia a dia da cidade, eles reclamam que não são vistos pelo restante da população. Quem conta é o fotógrafo Fernando Braune, morador do Ingá, que, depois de muita conversa com profissionais da Clin, criou uma exposição impactante sobre esse exército de trabalhadores. Até o dia 18, no Centro Cultural Correios, na Praça Quinze, a mostra “Invisíveis” reúne imagens trabalhadas em computador (acima) com fotografias tiradas na orla da Boa Viagem e do Gragoatá.
— A queixa de todos eles é de que são invisíveis para a sociedade, que as pessoas os confundem com lixo — diz Braune, que no dia 10, às 16h, comanda uma visita guiada.
Primeiro, o fotógrafo fez interferências com lápis sobre as fotos, em preto e branco, de garis e de lixo e paredes pichadas. Depois, clicou esse material e misturou tudo no computador. As imagens sobrepostas acabaram impressas em acrílico, placas de alumínio e tecidos.
— Nessas imagens, bem coloridas, os garis ficam quase que invisíveis no meio do lixo e das paredes pichadas — conta o artista, que ainda criou “livros-objetos” com as fotos e quer apresentá-los no calçadão da Boa Viagem.
A ideia depende de conversas com a Clin:
— Quero imagens grandes de cetim, que dará o contraste entre o lixo e o glamour.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior