O arquiteto Paulo Casé, de 87 anos, morreu nesta segunda-feira após passar 30 dias internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, como revelou o jornalista Ancelmo Gois. Carioca, Casé era uma apaixonado pelo Rio, onde projetou de hotéis de luxo, como o icônico Le Méridien (atual Hilton), no Leme, a obras no campo do urbanismo, como o Favela-Bairro da Mangueira. A assinatura de Casé está presente hoje por toda a cidade.
— O Rio tem um povo e uma paisagem heterogêneos. E isso é a riqueza dessa cidade – afirmou em uma entrevista ao GLOBO em 2011.
Na Zona Oeste, fez a Cidade das Crianças, em Santa Cruz, e o projeto Rio-Cidade Bangu:
‘O Rio tem um povo e uma paisagem heterogêneos. E isso é a riqueza dessa cidade’
– PAULO CASÉ
Arquiteto
— Quando cheguei à parte mais central de Bangu, vi aquela via com barro no chão, 42 graus, falta de sombra e, não à toa, quase ninguém circulando. Criei então um sistema de cobertura, com aspersores lançando água, para diminuir a temperatura, e projetei escadas rolantes, que passaram a ligar dois Bangus antes separados pela linha férrea — disse o arquiteto na mesma entrevista.
Casé também é o arquiteto por trás Rio-Cidade Ipanema, que dividiu opiniões. O polêmico Pórtico de Ipanema – no cruzamento da Rua Visconde de Pirajá com a Avenida Henrique Dumont – acabou depois derrubado, em meio a reclamações de moradores. Entre as obras do urbanista estão ainda o Hotel Merriott, em Copacabana, e o Parque Aquático Maria Lenk.
— Ele foi um arquiteto carioca ou um carioca arquiteto? Para mim, foi ambos. A vida dele foi a cidade, onde deixou marcas em todas áreas. Ele vai, mas o desenho dele fica – diz o filho Hamilton Casé, que também é arquiteto e há 30 anos trabalhava ao lado do pai.
Para a família, Casé era sobretudo um pensador e humanista.
— Em um dos seus últimos projetos, as quadras do Centro Metropolitano, ele faz uma crítica ao modernismo, ao desenho do Lúcio Costa. Ele fez a primeira esquina da Barra, projetou calçada, algo que não se vê no bairro. Para o meu pai, o sentido da arquitetura está no encontro das pessoas, na troca cultural da praça, na conversa — completa Hamilton.
Produtor de cinema, Paulo Augusto, também filho de Casé, há dois anos trabalhava com o pai e a diretora Paula Fiúza em um documentário, que será lançado ainda este ano, que vai além das obras do arquiteto. A ideia, conta o filho, é retratar na telona o pensamento do urbanista e sua visão crítica sobre o desenvolvimento da cidade.
— Ele era um grande pensador da arquitetura, ele pensava a cidade, não só a obra. Ele fala no filme uma coisa que para mim é inspiradora: que a maior descoberta do homem é a cidade — diz Paulo Augusto.
Reveja, em vídeo, uma entrevista de 2011 em que Paulo Casé mostrava o apartamento onde morava:
Casé estava internado em coma depois de sofrer um AVC. Ele deixa quatro filhos, cinco netos e a mulher, Guga Fróes. O velório será amanhã às 12h no Memorial do Carmo, onde seu corpo será cremado às 16h.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior