No momento em que soam as sirenes em áreas de risco durante uma forte chuva, a orientação é para que os moradores deixem imediatamente suas casas e procurem os pontos de apoio — predeterminados pela prefeitura — mais próximos. Só que, na Rocinha, por exemplo, onde dezenas de famílias ficaram desabrigadas no último temporal, uma escola escolhida para servir de abrigo fechou as portas às 18h, no auge do temporal. Na Babilônia, uma unidade da Faetec, também indicada pela prefeitura para receber moradores em risco, está desativada há quase uma década.
Na Rocinha, um dos nove lugares indicados como ponto de abrigo no site da prefeitura é o Ciep Bento Rubião. Funcionários de lá afirmaram, no entanto, que nunca foram visitados pela Defesa Civil para tratar do assunto e disseram que não poderiam acolher desabrigados porque a unidade também alaga. Quem procurou, durante a enxurrada, o Colégio Paula Brito, outra área indicada pela prefeitura na Rocinha, também não conseguiu abrigo na segunda-feira.
— O diretor disse que, em caso de chuva forte, todos são liberados mais cedo e a escola é fechada — contou um morador.
Na Babilônia e no Chapéu Mangueira, os únicos pontos de apoio são as associações de moradores e um espaço da Faetec. O problema é que a unidade de ensino está desativada há cerca de oito anos, segundo Luiz Alberto de Jesus, presidente da associação do Chapéu Mangueira. Sem apoio do município, Jesus diz que passou a utilizar um antigo posto de saúde, que também não funciona mais, como abrigo.
A Secretaria de Ordem Pública disse que existem 194 pontos de apoio, e que passam por “avaliação da Defesa Civil antes de serem aceitos”. E afirmou que realiza reuniões frequentes com moradores para orientações e que desde 2011, quando o programa das sirenes foi criado, já foram realizadas 337 simulações.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior