Moradores criam grupo para revitalizar alameda no Recreio com limpeza e replantio

Na rua residencial Almirante Ary Rongel, no Recreio, as calçadas arborizadas e o tráfego tranquilo (no trecho sem saída) compõem o ambiente ideal para passear com os cachorros. As preocupações seriam quase nulas se não fossem o lixo e o mato alto que costumavam ocupar a Alameda Sandra de Faria Alvim, na altura do número 33. Moradores do entorno e frequentadores assíduos se reuniram no início de junho para realizar a primeira de uma série de ações de revitalização do espaço.

O grupo Patativas — numa alusão aos habituès de quatro patas — começou no WhatsApp, há um ano, à medida que as pessoas se conheciam. A semana do meio ambiente foi escolhida como marco para o mutirão. Mais de 500 quilos de lixo foram retirados em três horas, em conjunto com a Comlurb.

A iniciativa foi levada para o grupo dada a preocupação com a falta de limpeza. Durante os passeios com seus cães, os moradores repensaram o potencial do espaço como área de lazer para as famílias, conta a arquiteta Isabelle de Loys, uma das pessoas à frente das ações do Patativas. As mudanças eram planejadas nas conversas com os participantes e do que ela observava ao levar seus quatro cachorros — Hanna, Max, Flick e Belinha — diariamente ao local.

— Nós tínhamos a preocupação com o espaço ao nos encontramos aqui. Hoje, por volta de 30 pessoas estão no grupo. Cada uma ajudando como pode nos permite cuidar da alameda, dando uma qualidade de vida melhor para todos — afirma Isabelle.

A arquiteta, especialista em sustentabilidade e eficiência energética, aposta ser possível transformar a alameda em um espaço produtivo. Ela tem feito o plantio de mudas de árvores frutíferas, facilmente identificadas por uma proteção na base. A poda do mato alto também teve o intuito de dar cara nova ao lugar, tirando os ares de abandono, e permitindo os cães brincarem soltos, sem guias.

Os participantes do Patativas juntaram verba para a compra de três lixeiras, instaladas por eles mesmos em postes nos arredores, há um mês. A medida tem como finalidade evitar que pedestres voltem a poluir o espaço. E tem dado resultado positivo. Mais dois cestos foram comprados.

E caso haja dúvidas, tem plaquinhas espalhadas para dar dicas de boa convivência. A ideia saiu do papel com a designer de interiores Patrícia Braga, pintando à mão em tábuas de madeira que tinha em casa mensagens como “Lixo no lixo” e “Respeite, ame, agradeça, ajude”. Ao passear com Billy, seu buldogue francês, pelas redondezas, também se incomodava com as condições. Ao ver mais pessoas participarem, ela se diz satisfeita com os resultados positivos.

— É muito fácil falar. É preciso ter atitude. Acho que está funcionando e ficando legal. Vemos as lixeiras sempre cheias, as pessoas estão mais conscientes. E era o que queríamos. Hoje, é um espaço agradável — diz Patrícia.

Embora tenham sido os frequentadores caninos a inspirarem o movimento, até quem não tem cão em casa entrou no grupo. O propagandista farmacêutico Victor Maggioni mora num prédio em frente à alameda. De sua janela observa as más condutas por parte dos frequentadores.

— Moro aqui há oito anos e vejo quem traz o cachorro e não cata as fezes. Quando reclamo, tem os que não gostam e começam a falar e outros ficam sem graça — diz Maggioni, apostando num novo momento. — A alameda era muito largada, suja. Não existia conscientização do espaço. Hoje ainda não vemos pássaros comuns daqui, mas deve voltar. A conservação traz a vida de volta.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior