Menos água e mais lama nas lagoas da Barra da Tijuca

Cerca de 80% das lagoas da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, transformaram-se em ilhas de lama e lixo, com um assoreamento acentuado e preocupante. Do alto é possível ver vários pontos em que a água foi desaparecendo, dando lugar a montes de areia. O biólogo Mário Moscatelli afirma que os rios que chegam ao complexo perderam a sua função e hoje são parte da rede de esgoto.

A poluição pode atrapalhar a viabilização do projeto do secretário municipal de Transportes, Fernando Mac Dowell, de ligar o Condomínio Península à estação do metrô Jardim Oceânico por meio de balsas. Na última sexta, a prefeitura publicou no Diário Oficial o início do processo para implantação, operação e manutenção do transporte aquaviário na Barra.

As empresas interessadas deverão, entre outras tarefas, apresentar um projeto de engenharia com a avaliação das condições topográficas, marítimas, geográficas e geológicas. Os candidatos deverão apresentar um estudo ambiental apontando se há algum fator ambiental impeditivo ou que exija um processo de licenciamento capaz de impactar o cronograma da obra.

A publicação saiu um dia após fotografias aéreas mostrarem a situação crítica das lagoas. Na última quinta-feira, Moscatelli sobrevoou a região e observou a mancha que toma conta da água e já atinge a praia da Barra. A iniciativa do serviço de balsas o deixa esperançoso, já que o sistema seria mais um motivo para a despoluição.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) confirma que a água não está com a qualidade adequada, devido a um conjunto de fatores, como o esgoto dos rios que deságuam no complexo, além do assoreamento que contribui para diminuir a renovação das águas. Para o biólogo, a situação pode ser considerada terminal.

O pesquisador lembra ainda que, diante da situação atual, é praticamente inviável a circulação de embarcações, seja pela baixa profundidade, seja pelos resíduos sólidos de grande porte, como sofás e pneus. De acordo com a Secretaria municipal de Transportes, soluções para minimizar a poluição e o acúmulo de detritos são parte do estudo que está sendo elaborado por técnicos do órgão.

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O derramamento de esgoto também fornece matéria orgânica para a formação das cianobactérias (algas), beneficiadas pelas condições climáticas do verão, quando são registradas altas temperaturas, baixa pluviosidade e maior incidência de iluminação solar. A ingestão da toxina pode provocar doenças.

— Ao ingerir o alimento contaminado, estamos engolindo também a toxina. Deixa de ser problema ambiental e passa a ser uma questão de saúde pública. O contato com essa água pode causar também micoses, otite, hepatite, conjuntivite ou gastroenterite — alerta o especialista.

A Secretaria estadual de Ambiente informou que as obras do projeto de recuperação das lagoas tiveram o contrato suspenso por causa dos arrestos judiciais e da crise do Rio. Sem uma mudança de cenário, segundo a pasta, não há como retomar o projeto.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Mário Moscatelli