Palco de grandes nomes da música nordestina, o Forró Forrado, criado em 1970 pelo compositor e produtor Adélio da Silva, conhecido como Seu Adélio, recebe nesta terça-feira, a partir das 19h30m, Marcus Lucenna. Há um ano o evento é realizado no Cariocando, no Catete, bairro onde tudo começou. Seu Adélio continua com a mesma proposta de décadas atrás: revelar novos nomes da cena e, claro, convidar personalidades com carreiras consolidadas. É o caso de Lucenna, que, ao chegar ao Rio com 16 anos, vindo do Rio Grande do Norte, dividia-se entre o Forró Forrado e o Forró Mengão, no Flamengo.
— O Rio tinha muito nordestino. Naquela época, muitos trabalhavam nas obras do metrô. O Forró Mengão era o lugar que essa massa frequentava. E o Seu Adélio, no Forró Forrado, conseguiu reunir a classe média para dançar, principalmente por causa do João do Vale, que se apresentava lá. Caí nos braços desses dois lugares assim que cheguei. Fui abraçado por grandes baluartes — lembra Lucenna, que fugiu da casa dos pais no Nordeste para cantar no Rio de Janeiro.
O Forró Forrado era a casa oficial de João do Vale, que tocava toda terça e quinta. Foi ele o responsável por atrair nomes como Chico Buarque e Clara Nunes para frequentar o evento e dar uma canja. Nos tempos áureos, o Forró Forrado era realizado de terça a domingo, e recebeu, ainda, Luiz Gonzaga, Zé Gonzaga e Jackson do Pandeiro, entre outros.
— Nunca parei com o evento, sou um apaixonado pelo forró. Há 48 anos venho defendendo essa cultura popular. O forró era muito discriminado na Zona Sul. Em 1973, João do Vale me pediu um dia. Eu acabei dando terça e quinta. Ele passou a convidar esse pessoal todo famoso. Mantenho até hoje aquele forrozinho pé de serra e só estou no mercado porque a maioria dos artistas de forró começou comigo— lembra Seu Adélio.
Para Lucenna, regressar ao evento é sempre um prazer. Nesta terça, ele apresenta seu novo disco, “Marcus Lucenna na corte do rei Luiz”, que, além de canções autorais, tem regravações de sucessos de Luiz Gonzaga, como “Forró de cabo a rabo” e “Vassouras”. Clássicos do gênero e músicas de seus outros álbuns não ficarão de fora do repertório.
— É tudo muito intuitivo. O forró tem uma coisa dançante. Começamos a tocar e as músicas vão saindo. Dá essa liberdade ao cantor de não seguir um programa no show. É pela emoção que troco com a plateia que o repertório sai — explica o músico.
Ele também se prepara para lançar, em abril, um livro com o mesmo nome do disco, em que vai contar a história das primeiras casas importantes de forró do Rio. Uma delas é o evento de Seu Adélio, que, segundo ele, “uniu nossa cidade, que era partida pelo preconceito, com muito forró do bom”.
O ingresso para o show de terça-feira custa R$ 15. O Cariocando fica na Rua Silveira Martins 139, no Catete (Telefone: 2557-3646).
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior