O sucesso da Olimpíada do Rio é resultado de uma combinação de fatores, que vão além da simpatia típica do povo carioca e da alegria contagiante do Boulevard Olímpico do Porto, que reuniu milhares de visitantes. A mobilidade urbana foi um dos destaques durante os Jogos. Não há como negar que a integração do metrô com o BRT e o VLT merece um lugar no pódio. Para atender os 450 mil espectadores circulando diariamente pela cidade, foi preciso fazer uma transformação profunda no transporte público. Mas o legado dessas intervenções é uma das grandes preocupações de quem vive na cidade. Segundo Thereza Lobo, diretora executiva do movimento Rio Como Vamos (RCV), apesar de todos os investimentos, ainda existem questões a serem discutidas:
— Não há dúvida de que parte do sucesso da Olimpíada se deve à mobilidade. Mas não adianta falarmos de milhões em investimentos sem atentarmos para a qualidade da prestação desses serviços. É preciso que todas as mudanças sejam acompanhadas de perto, para que esse legado não vá por água abaixo em um curto espaço de tempo. É muito bom que a cidade evolua nesse sentido, mas não podemos esquecer que todas as obras deverão ter um acompanhamento posterior.
Pesquisa feita pelo RCV em 2015 constatou que 29% dos entrevistados acreditavam que o principal benefício dos Jogos seria a melhoria dos transportes públicos. Entre os investimentos citados como prioridades, estavam as novas vias de BRT e a expansão do metrô, mencionadas por 66% e 56% das pessoas ouvidas, respectivamente.
Levantamentos feitos pelo movimento também mostraram que, entre 2009 e 2015, o número de cariocas que utilizavam o transporte público na cidade aumentou 5%. No caso do metrô, esse crescimento foi de 7%.
ESCASSEZ E SUPERLOTAÇÃO DE ÔNIBUS
Os problemas, porém, cresceram. Somente no primeiro semestre deste ano, a central 1746 registrou 17.322 reclamações sobre ônibus municipais, número quase 12% maior que no mesmo período do ano passado. Entre as principais queixas estão a escassez de veículos e a superlotação. O preço da passagem também foi citado. Três em cada dez passageiros acham os valores altos demais.
Segundo a Secretaria municipal de Transportes, desde a escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos, em 2009, a cidade vem passando por uma ampla transformação, que inclui a reorganização na forma como cariocas e visitantes se deslocam na cidade. Houve investimentos em VLT, BRT, corredores de BRS e na Linha 4 do metrô (Barra-Ipanema).
Em 2009, a rede de transporte de alta capacidade do Rio compreendia duas linhas de metrô (Pavuna – Estácio e Saens Peña – General Osório), cinco ramais de trem (Santa Cruz, Deodoro, Japeri, Belford Roxo e Saracuruna), e três ligações hidroviárias (Praça Quinze– Niterói, Praça Quinze–Ilha do Governador e Praça Quinze– Paquetá), além das 1.450 linhas e serviços de ônibus municipais e intermunicipais.
O secretário municipal de transportes, Alexandre Sansão, destaca que a rede metroviária passou de 42 para 57 quilômetros, de 2009 para 2016, um aumento de cerca de 35%. Com a abertura da Linha 4, dos 160 bairros da cidade, 107 passarão a ser diretamente atendidos pelo metrô e suas as integrações, o que representa cerca de 2,5 milhões de passageiros por dia.
Com a conclusão do Transbrasil, a cidade terá, no total, 155 quilômetros de corredores BRT. Juntos, os BRTs terão capacidade para transportar até 1,4 milhão de pessoas por dia. Na área central, o sistema VLT, que terá 28 quilômetros, vai promover a integração entre diferentes modais, atingindo 300 mil passageiros por dia.
ORÇAMENTO PRIVILEGIOU LEGADO
O orçamento total dos Jogos alcançou R$ 39 bilhões. A maior parte (R$ 24 bilhões) foi destinada a obras que ficarão de legado para a cidade, incluindo uma rede de transporte integrada e de alta capacidade.
— Os Jogos possibilitaram a elaboração de um plano de transportes reunindo antigos projetos engavetados por décadas e novas propostas, bem como o direcionamento dos recursos orçamentários para o plano de mobilidade do Rio num curto espaço de tempo — explica Sansão.
DEZ ÁREAS SÃO MONITORADAS
O Rio Como Vamos (RCV) avalia a qualidade de vida do carioca em dez áreas: saúde; transportes; educação; segurança; pobreza e desigualdade social; meio ambiente; lazer e esporte; saneamento; inclusão digital; e trabalho, emprego e renda. Os dados são divulgados pelo GLOBO e no site riocomovamos.org.br/site/.
O RCV conta com o apoio de Firjan, Associação Comercial, Observatório de Favelas, CDI, Idac, Institutos Ethos, Light, Instituto do Trabalho e Sociedade, Grupo Libra, Metrô Rio, Michelin, KPMG, OnBus Digital, Instituto Invepar, The Climate Works e Vale.
Fonte: O GLobo
Foto: Thiago Freitas/5-6-2016
Postado por: Raul Motta Junior