Juros futuros fecham em leve alta com guerra do Oriente Médio no radar

“RAUL BARROZO DA MOTTA JUNIOR”

Após operarem com leves baixas pela manhã, as taxas dos DIs se reaproximaram da estabilidade e encerraram a terça-feira com altas modestas, em um dia de liquidez menor, dúvidas sobre o cenário no Oriente Médio e avanço dos rendimentos dos Treasuries.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,14%, com elevação de 1 ponto-base ante o ajuste de 14,126% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,65%, com alta de 5 pontos-base ante 14,601%.

Uma alta autoridade do Irã disse à Reuters na segunda-feira (20) que Teerã havia recebido uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de dez dias com os EUA, em um esforço para salvar o acordo provisório entre os dois países.

O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, também havia solicitado ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito.

A nova tentativa diplomática foi bem recebida pelos mercados por um lado, mas novos ataques dos EUA no sul e no oeste do Irã reduziram o otimismo por outro.

 

Ainda que os índices de ações tenham subido nos EUA, puxados em grande parte pelo setor de tecnologia, o petróleo Brent se firmou em alta e os rendimentos dos Treasuries ganharam força durante a manhã, impactando os DIs.

Após cederem na abertura da sessão, em meio ao otimismo com um possível cessar-fogo entre EUA e Irã, as taxas futuras se reaproximaram da estabilidade no Brasil e, durante a tarde, passaram a exibir altas leves.

Profissional ouvido pela Reuters chamou a atenção ainda para os “volumes baixíssimos” negociados na sessão, em um período de férias de meio de ano que costuma afetar as mesas de operação. A agenda de indicadores econômicos esvaziada no Brasil e nos EUA também contribuiu para a liquidez menor.

Ao mesmo tempo, os preços de mercado seguiram mostrando os investidores posicionados para um corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, mas divididos sobre o encontro de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Na última sexta-feira — atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 78% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 18,98% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Para setembro, os percentuais eram de 50% para novo corte de 25 pontos-base e 47% para manutenção.

No exterior, às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 3 pontos-base, a 4,626%.

Fonte CNN BRASIL