Jogos foram melhor que o carnaval para economia do Rio

A Olimpíada terminou com ao menos dois setores da economia carioca se sentindo com o ouro no peito: hotelaria e bares e restaurantes. Os hotéis do Rio bateram 94% de ocupação média entre 1º e 21 de agosto, num ano em que a taxa vinha oscilando em torno de 40%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ). Já no segmento de alimentação, as vendas subiram em torno de 45%, revertendo perdas de até 25% registradas de janeiro a julho, de acordo com o SindRio, que reúne os bares e restaurantes da cidade.

— Foi muito bom. A hotelaria registrou um recorde de quase 56 mil quartos ocupados. O melhor é que foram três semanas de hotéis praticamente lotados. Pesa no resultado do ano porque estávamos com a ocupação em torno de 40% — explicou Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ. — O sucesso da Olimpíada é relevante em estimativas de aumento na captação de turistas nacionais e internacionais para o Rio, o que pode aliviar a preocupação com a situação pós-Jogos.

Veja também

Grupo de australianos deixa o Dona Marta, em Botafogo: turistas foram convidar crianças da favela para assistir à partida olímpica de hóquei. Guias acreditam que medo de tiroteios e de zika tenha afugentado visitantesNúmero de visitantes em favelas caiu até 90% nos Jogos, em comparação com Copa
Público assiste show no Boulevard OlimpicoOrla Conde e Copacabana são sinônimo de diversão
Turistas estrangeiros em Santa Teresa. Lora Moffatt e Philippe Bennet são americanosSanta Teresa atrai estrangeiros que buscam tranquilidade
O ônibus oficial da cidadeRio terá ônibus, um deles com 2 andares, percorrendo as ruas da Zona Sul e Centro
ESTADA MÉDIA TRÊS VEZES MAIS LONGA

O principal ganho, explica Lopes, é que nos Jogos do Rio-2016 a estada média dos visitantes foi de 12 a 14 dias, enquanto nas datas mais fortes do calendário da hotelaria carioca — réveillon e carnaval — a permanência é de três a cinco dias. A Olimpíada bateu as outras duas de longe. Na festa da virada para 2016, os hotéis do Rio tiveram 85,93% de ocupação, enquanto no carnaval deste ano a taxa foi de 82,97%.

A oferta de quartos na cidade dobrou desde 2009, chegando a 56 mil quartos para a Olimpíada. Mas, com a crise político-econômica, veio o freio nas viagens corporativas e de lazer, devido ao aperto no bolso do brasileiro, derrubando o aproveitamento do setor.

Nos bares e restaurantes, a situação é parecida. De janeiro a julho, o segmento registrou queda de 25% em vendas, segundo Pedro de Lamare, presidente do SindRio. Nos primeiros quatro meses deste ano, aproximadamente três mil postos de trabalho foram fechados no setor na cidade, conta De Lamare:

— As vendas cresceram em média 45% durante a Olimpíada. Nós esperávamos o pico e nos preparamos para ele. O resultado foi ainda melhor em áreas de maior concentração de hotéis, instalações olímpicas e de casas montadas pelos países. Na Zona Sul, por exemplo, a alta chegou a 70%.

— Não é possível dissociar o resultado da crise que enfrentamos. O ICMS dobrou no início deste ano. Mas, com a Olimpíada, ficou claro que com planejamento as coisas acontecem. O Rio tem capacidade de recuperação. Com um sólido plano de atração de eventos e consolidação do turismo, podemos avançar — argumenta o presidente do SindRio.

A gastronomia registrou alta em outras áreas. A Air de Cuisine, de comissaria para aviação executiva, viu a demanda de pedidos quadruplicar na Olimpíada. O faturamento saltou de R$ 50 mil por mês para R$ 200 mil no período.

O Boulevard Olímpico (na Zona Portuária), o Parque Madureira (na Zona Norte) e o Centro Esportivo Miécimo da Silva (em Campo Grande), que ganharam espaços para transmissão de competições, shows e outras atrações, reuniram mais de quatro milhões de pessoas. O Porto foi o único a contar com 50 food trucks, que venderam 250 mil produtos durante a Olimpíada. Só em bebidas, foram comercializados 500 mil litros. O Museu do Amanhã, na Praça Mauá, recebeu 82.500 visitantes, ou 5.200 por dia, acima da média habitual de 4.900.

ESTIMATIVA DE QUEDA NO COMÉRCIO

No comércio, porém, a percepção é de queda nas vendas, mas com perspectiva de crescimento pelo fortalecimento da economia que a realização dos Jogos no Rio pode trazer, explica Aldo Gonçalves, presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio (CDLRio):

— Grandes eventos tiram o foco das pessoas do consumo. E os feriados atrapalham muito. Na Copa do Mundo aconteceu o mesmo. As vendas ficam mais em alimentação. No comércio em geral, a procura foi por artigos esportivos, suvenires e televisões. Ainda não fechamos o balanço, mas os lojistas falam em queda do faturamento. Na Zona Sul, com a maior circulação de turistas, há exceções — conta Gonçalves.

No primeiro semestre, as vendas do comércio lojista carioca recuaram 6,8%, na comparação com janeiro a junho de 2015. Cada feriado representa perda média de R$ 380 milhões, segundo estudos do CDLRio.

Fonte: O Globo
Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior