Das 24 horas do dia, Marília Pereira gasta seis dentro de transportes públicos. Moradora de Xerém , em Duque de Caxias , na Baixada Fluminense, a jovem de 18 anos encara o percurso de cerca de 120 quilômetros (ida e volta) de segunda a sexta-feira para chegar até o Marina Barra Clube , na Barra, onde treina voleibol gratuitamente, por meio do projeto social Ripper Volêi. Já formada na escola, seu sonho agora é fazer uma faculdade nos Estados Unidos , custeada por seu talento como atleta.
O gosto pelo esporte veio de um jeito totalmente inesperado, quando ela tinha 14 anos e o porteiro de um clube a confundiu com uma jogadora.
— Eu estava fazendo um passeio com meu avô no Fluminense, em Laranjeiras, e o porteiro achou que eu era atleta, mas eu nem jogava. Ele insistiu, disse que eu tinha porte, levou isso a sério e chamou a professora do local para me apresentar. Ela marcou um teste comigo, e assim comecei — resume a jovem.
Para não deixar o sonho morrer, Marília se vira como pode. Com os pais desempregados, vende trufas que confecciona no horário em que chega em casa — já no fim da noite. O dinheiro é para garantir o valor das passagens até os treinos , uma vez que o projeto social lhe concede uniformes e equipamentos esportivos. Outra grande ajuda para chegar mais perto do seu objetivo foi uma bolsa de um curso de inglês intensivo, que frequenta no turno em que não está treinando.
— Não sabia nada de inglês, e o vôlei está me ajudando muito até com isso. O pai de um aluno do Marina conseguiu esta bolsa para mim. Tanto colegas quanto membros da equipe do clube me ajudam muito. Se tem um tiroteio que atrapalhe minha volta para casa, por exemplo, eu sempre tenho onde ficar— diz ela, agradecida.
Nas próximas semanas, a atleta gravará vídeos que serão enviados a faculdades americanas. Ela só poderá viajar se conseguir uma bolsa de 100% , para a qual a concorrência é grande. Mas o técnico da jovem, Marco Ripper, está certo de que Marília tem muita chance de conseguir o auxílio.
— Ela é uma junção de empenho, perseverança e talento. Hoje, tem muitos requisitos técnicos e comportamentais que somam para chegar onde quer como atleta— garante Ripper.
A moradora de Xerém também está em busca de patrocínio, para garantir sua rotina de treinos com mais tranquilidade e custear parte de sua estadia nos Estados Unidos, caso conquiste uma bolsa parcial.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação/Marcos Ramos