Inspirado por uma notícia de jornal, ator Roberto Frota lança primero romance

No ano em que comemora meio século de carreira e mais de uma centena de trabalhos na televisão, no teatro e no cinema, o ator Roberto Frota, de 79 anos, envereda, pela primeira vez, pelo universo da literatura. O recém-lançado romance policial “Mão de flor” investe em uma história ambientada entre as mansões de São Conrado e os barracos da Rocinha. Embora não conheça a comunidade, interessa-lhe o contraste entre muito pobres e muito ricos. O ambiente da obra foi inspirado por uma notícia de jornal lida pelo autor há cerca de seis anos.

— A reportagem noticiava o sequestro da filha de um empresário paulista cuja mansão havia sido invadida. Aquilo despertou a minha curiosidade sobre a negociação entre o sequestrador e este pai e ficou na minha cabeça desde então — relembra Frota, que viu necessidade de transferir sua narrativa para o Rio. — No livro, um dos cenários é uma mansão na Estrada das Canoas, uma região que fica como que nos fundos da Rocinha. Este contraste entre a realidade da maior favela do país e casas luxosas tão próximas me pareceu adequado para a história.

O livro — cujo título faz alusão a uma expressão, segundo Frota, que em São Paulo designa quem tem talento para mexer com as flores — narra a história do jardineiro Chico, que está determinado a proporcionar alguns instantes de alegria à sua companheira, doente em estado terminal. Para isso, cria um plano sinistro que envolve seu patrão, um influente e poderoso empresário das telecomunicações.

— A partir daí, desenvolve-se uma trama articulada para mostrar como um ato seu repercute no próximo. É uma teia na qual todos estamos interligados — filosofa Frota.

Conhecido por personagens em novelas como “Tieta” e “Pedra sobre pedra”, ambas da TV Globo, Frota, que também é diretor e produtor teatral, conta que, a princípio, havia pensado a história de “Mão de flor” como um filme para o cinema ou em formato de série televisiva. Mudou de ideia, porém, após ouvir de conhecidos que seria difícil filmar a narrativa.

— O curioso é que agora dizem que o livro é quase um roteiro de cinema, em que só falta botar os diálogos. Continuo com o desejo de vê-lo nas telas, e vou correr atrás desta ideia — garante o autor, que no início da década de 1990 escreveu, ao lado de Carlos Gregório, o argumento original do longa-metragem “Se eu fosse você”, uma das grandes bilheterias do cinema nacional.

Fonte: O Globo
postado por: Raul Motta junior