Horta Comunitária do Grajaú tem financiamento na web para crescer

Em meio à urbanização desenfreada de uma metrópole como o Rio, o Grajaú é um dos poucos bairros onde permanece a atmosfera bucólica, transmitida pelas sombras das árvores centenárias, pelo canto dos passarinhos e pelos canteiros que florescem nas calçadas. Com inspiração nesse clima de cidade do interior, um grupo de moradores e frequentadores do bairro vem, desde junho de 2015, cultivando uma horta e um pomar em dois canteiros da Praça Edmundo Rêgo. A iniciativa, que ganhou o nome de Horta Comunitária do Grajaú, gerou frutos e agora o grupo realiza um financiamento coletivo via internet para modernizar e ampliar a horta.

— A horta surgiu graças à união, ao desejo e ao empenho dos moradores, frequentadores e amigos do projeto. Tendo sido constituída por meio de uma cooperativa, tudo aconteceu de forma orgânica e espontânea. Agora chegamos ao momento de amadurecer o projeto e tornar a nossa horta mais produtiva, organizada e operacional para melhor atender a comunidade — diz Leandro Pagnoncelli, um dos realizadores do projeto.

Caso o crowdfunding dê certo, está programada, primeiramente, a implantação de um sistema de captação e armazenamento de água da chuva para irrigar os vegetais. A meta do financiamento (R$ 5 mil) precisa ser batida até o dia 17 de dezembro, caso contrário o financiamento, feito via site , desde meados de outubro, não será aprovado. Até a última terça-feira, dia 28, data do fechamento desta edição, o valor arrecadado pela ação era de R$ 1.740. Ou seja, em 19 dias que restam, é preciso arrecadar R$ 170 por dia.

Entre as recompensas oferecidas a cada contribuição estão um vaso com mudas de tempero da horta (R$ 20); um curso sobre cultivo em terrenos oferecido pela comunidade (R$ 50); uma composteira em balde (R$ 100); curso de horta em vasos (R$ 300); curso de hortas em apartamentos (R$ 400); serviço de consultoria para implantação de horta em local escolhido (R$ 500); e consultoria e palestra sobre veganismo e implantação do sistema de água da chuva em local a combinar (R$ 1 mil).

Desde o começo das atividades, a água utilizada para a irrigação é gentilmente cedida pela cabine da Polícia Militar que fica ao lado do canteiro. A questão da captação das águas da chuva é um grande sonho dos integrantes.

— Só temos que agradecer aos policiais, que sempre nos ajudaram. Embora a água seja um recurso público, sabemos que eles estão fazendo uma gentileza e o ideal para a irrigação é a água da chuva, mais natural. A época das chuvas se aproxima, e dessa forma conseguiremos acumular — acredita Téo Cordeiro, morador do bairro e que atua no coletivo Águas de Março, uma rede carioca com foco na captação de água de chuva.

Há também outras metas futuras. Entre elas, um programa de educação ambiental para escolas, com fornecimento de material didático e programa de capacitação e consultoria; e a construção de abrigo para ferramentas, além da aquisição de novos equipamentos.

— Queremos capacitar mais pessoas, para que possam sistematizar e replicar projetos similares pela cidade. Além disso, nos mutirões ou em outros encontros é sempre preciso que as pessoas tragam as ferramentas. Caso alguém não venha ou esqueça, o trabalho fica debilitado. Então é necessário dispormos de equipamentos para uso geral aqui — explica Cordeiro.

A horta conta, ao todo, com 800 integrantes em sua página no Facebook, mas apenas cerca de dez se mantêm participativos e atuantes. Nos mutirões, que acontecem no segundo domingo do mês, junto com a Feira Desapegue-se, a mão de obra fica um pouco maior.

— Muitos curiosos e interessados pelo trabalho vêm e nos apoiam. Só que apenas uma pequena fração dessas pessoas sabe a respeito do financiamento coletivo, infelizmente. Se todos que estivessem no grupo do Facebook ou que vêm no mutirão ajudassem, conseguiríamos bater nossas três metas facilmente. Se todo esse pessoal contribuir com R$ 10, conseguiremos. Então venho aqui pedir o apoio de todos para que consigamos concretizar o nosso sonho. E que possamos servir de exemplo para outras iniciativas parecidas — diz Renata Lara, responsável pela Casa Anitcha e uma das idealizadoras da horta.

Na horta e no pomar podem ser encontrados diversos tipos de frutas, legumes, hortaliças, verduras e ervas. Entre boldo, alecrim, salsa, cebolinha, tomate e abacaxi, são ao todo 46 espécies disponíveis.

— Só nos resta otimizar a ação para que horta e pomar se desenvolvam e que os produtos tenham qualidade ainda melhor — diz Érica Ramalho, integrante do grupo responsável pela idealização do projeto de crowdfunding.

A equipe da Horta Comunitária do Grajaú também planeja fazer o mapeamento das árvores frutíferas do bairro e do vizinho Andaraí.

— Eu só faço o produto final. É a comunidade que me traz essas informações. Às vezes você está passando por um pé de amora, com amoras deliciosas e, devido à correria da cidade grande, nem percebe que dispõe daquele vegetal ali. Por enquanto, mapeei cerca de 30 árvores, sem contar com as tamarineiras — diz ela.

Mais informações sobre a horta e o mapeamento estão disponívei na página da Horta Comunitária do Grajaú no Facebook.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior