Gigogas das lagoas da Barra chegam às praias da Zona Sul

As gigogas das lagoas da Barra da Tijuca já chegaram às praias da Zona Sul. Na manhã desta terça-feira, as algas foram vistas em Ipanema. Segundo um barraqueiroda região, elas chegaram por volta das 6h30m trazidas pela maré. As gigogas já ocupam uma enorme faixa que vai dos postos 7 ao 10. Os banhistas estão evitando o mergulho porque para atingir a água eles têm que ultrapassá-las, já que estão entre o mar e a faixa de areia.

A poluição do complexo lagunar já está causando mortandade de peixes. Na manhã desta segunda-feira, várias espécies apareceram boiando na Lagoa de Marapendi. Na altura do Condomínio Mandala, era grande a quantidade de peixes mortos. A Secretaria estadual do Ambiente informou que os técnicos ainda não concluíram a vistoria na região. O empresário Ricardo Herdy, proprietário de uma empresa de transporte náutico, disse que foi obrigado a suspender os passeios turísticos.

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— O mau cheiro e a cor da água não são nada convidativos para um passeio. As pessoas querem fazer um passeio para contemplar a natureza. Ninguém quer ver peixes mortos e sentir esse odor desagradável — reclamou.

Após o canal e a praia da Barra serem tomados por gigogas no fim de semana, a secretaria informou, nesta segunda-feira, que não cabe mais a recuperação da ecobarreira da Lagoa da Tijuca, que está afundando. De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), para sanar temporariamente o problema, ela será substituída pela antiga ecobarreira do Canal do Cunha, que foi substituída recentemente por uma mais robusta. O motivo para o reúso é a falta de verba para comprar uma nova, explica o Inea.

Nesta segunda, a corrente marinha acabou levando as gigogas do mar de volta em direção à lagoa. Com isso, elas estão concentradas no Canal de Marependi e na Lagoa da Tijuca, o que prejudica a locomoção das chalanas que transportam moradores da Ilha de Gigoia. Barqueiros reclamam da vegetação que danifica os motores. A Comlurb permanece fazendo a retirada das gigogas da Praia da Barra, mas ainda não pesou o material retirado nesta segunda. No domingo, uma equipe do órgão retirou cerca de dez toneladas de vegetação da região, na altura do Quebra-Mar.

A três meses das Olimpíadas, a região da Barra vem sofrendo com a poluição de seu complexo lagunar, cuja limpeza fazia parte do caderno de encargos dos Jogos. As gigogas se proliferam rapidamente em águas com níveis elevados de contaminação por esgoto. O anúncio da realização do maior evento esportivo do mundo veio com a promessa de recuperação do ecossistema da região da Barra. Mas, agora, autoridades admitem que promessas relacionadas ao legado ambiental das Olimpíadas não serão cumpridas.

Fonte: O Globo
Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior