Na Espanha, ele olhava pela janela e via uma cidade linda. Morador de uma comunidade em Niterói, confessa que, aqui, não gosta de muitas coisas que vê. Matheus Fernandes, de 16 anos, foi um dos dez estudantes assistidos pela obra social Salesiana escolhidos para participar da Copa Ampla de Futebol sub 13, em 2015, em Madri. E admite que a viagem mudou sua vida. O sonho virou realidade graças à ajuda da psicóloga e especialista em educação social Elaine Holanda, que acompanhou os jogadores. Após a experiência marcante em Madri, ela decidiu escrever um livro contando as histórias dos meninos e a primeira viagem ao exterior feita por eles. O livro será lançado no dia 4 de maio, no Reserva Cultural, às 19h.
— Tudo foi tocante, até escrever o livro. Tudo foi marcante pelos desafios, pelas conquistas, pelos anjos que passaram pelo nosso caminho e nos ajudaram a concretizar os sonhos — conta a psicóloga.
Os meninos escolhidos são moradores de comunidades e convivem com realidades diferentes da encontrada durante a viagem. Segundo Ronald Alves, de 15 anos, foi uma das melhores experiências de sua vida:
— Faltava uma semana para o campeonato, e nos dedicamos muito. Quando ouvi o apito final que dizia que tínhamos conseguido, eu nem acreditei. As pessoas não me levavam a sério, e nunca tive ninguém que acreditasse em mim. Foi uma honra ter feito isso e sentir, pela primeira vez, que eu podia realizar meus sonhos.
Apesar das dificuldades encontradas para viajar, de questões burocráticas a problemas familiares, Elaine garante que a luta valeu a pena para todos.
— Enquanto eu escrevia, parecia que estava narrando um sonho e não uma experiência que de fato aconteceu. Foi tudo tão mágico! Cada movimento era uma emoção diferente. Cada história está repleta de luta, cada uma do seu jeito. Porém, algumas compartilham os mesmos sofrimentos: mortes, dificuldades econômicas extremas e violação de direitos — afirma Elaine.
Assim que voltaram para casa, eles foram recebidos com festa e fogos, o que mudou a maneira como eram vistos pelas pessoas e até por eles mesmos. A vida mudou dentro e fora do campo.
— Agora, eles conseguem buscar algo mais, além do futebol: estudar. Ter ido para a Espanha foi a prova de que, com disciplina, eles podem chegar a lugares ainda melhores — comenta o treinador, Getúlio da Silva.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo