Do popular ao clássico, o mês de novembro será repleto de atrações musicais pela região com três festivais de peso: O Villa-Lobos, que, em sua 54ª edição, faz uma homenagem a Egberto Gismonti; o Mimo, pela segunda vez em território carioca; e o RioWinds Festival — Festival Internacional de Sopro, que celebra os 19 anos do projeto Música no Museu.
Criado em 1961 por Arminda Villa-Lobos, a Mindinha — mulher de Heitor Villa-Lobos —, o festival que leva o nome do compositor vai muito além da celebração do seu legado. A ideia é exaltar a história da música brasileira sem deixar de fora as novidades dos mais variados segmentos. A cada ano é feita uma série de homagens. Este ano, além do homenageado principal, Egberto Gismonti, haverá programação temática comemorando os centenários de Dilermando Reis (1916-1977), um dos mais importantes violonistas e compositores brasileiros de todos os tempos, e do samba; e ainda os 150 anos de nascimento de Anacleto de Medeiros (1866-1907) e os 90 de Moacir Santos (1926-2006). Serão 63 atrações de 4 a 15 de novembro, entre concertos, shows, mostra de filmes, oficinas, mesas-redondas, atividades infantis e bailes de gafieira.
— Este ano, teremos uma novidade muito especial. O homenageado principal (Gismonti) ficará com a função de abrir e fechar a programação — afirma Marcelo Rodolfo, diretor artístico do festival.
No dia 4, o músico tocará na Sala Cecília Meireles, na Lapa, acompanhado pela Camerata Romeu, de Cuba, formada somente por mulheres, sob a batuta da maestrina Zenaida Romeu. A apresentação contará ainda com dois virtuoses: a violinista Ana de Oliveira e o clarinetista José Batista Júnior. No dia 15, Gismonti retornará ao mesmo palco para encerrar o festival.
Pela primeira vez participando do evento, o músico diz que ficou satisfeito por ter conseguido levar a sua visão sobre a obra do compositor para o festival.
— Tenho uma relação especial com Villa-Lobos. Em 1985, lancei o álbum “Trem caipira”, com versões livres das suas músicas, e o trabalho rendeu um Disco de Ouro. Nunca encarei Villa-Lobos como um compositor clássico, como muitos rotulam. A organização topou que eu levasse a minha visão para o palco ao lado da Camerata Romeu, com quem toco há mais de dez anos — conta Gismonti.
Entre as atrações também estão artistas como Paulinho da Viola, Fernando Portari, Carminho, Zélia Duncan, Rosana Lamosa, André Mehmari, Alfredo Del-Penho, Leandro Braga, Jaques Morelenbaum e Orquestra Ouro Negro, que se apresentarão por 14 espaços da cidade em concertos gratuitos ou a preços populares. Na Zona Sul, os shows serão no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico. A programação completa está no site do festival.
— Outras novidades é que ocuparemos um espaço público pela primeira vez, a Praça Mauá, além de sair das fronteiras do Rio, com atividades em Niterói — conta Andréa Alves, diretora de produção.
O acordeonista Bebê Kramer será responsável por outra grande atração desta edição: ele promoverá a famosa Gafieira do Bebê com convidados como Roberta Sá e Marco Pereira Trio.
— É maravilhoso participar de um festival que leva o nome do Villa-Lobos, que eu considero o nome mais importante da nossa música. Ele fez uma síntese da música do nosso país e todos nós nos aproveitamos disso até hoje — afirma Kramer.
BOA MÚSICA AO AR LIVRE E DE GRAÇA
Entre os dias 11 e 13 de novembro, o Rio receberá pela segunda vez o Mimo Festival, com uma série de shows gratuitos pela cidade. O palco principal desta edição será a Praça Paris, na Glória, que receberá shows como o do duo francês Jacky Terrasson & Stéphane Belmondo e a colombiana Totó la Momposina, além dos brasileiros Guinga, Leila Pinheiro, Mônica Salmaso, Ney Matogrosso e o reencontro dos integrantes da Banda Zil, formada nos anos de 1980 por Zé Renato, Claudio Nucci, Ricardo Silveira, Marcos Ariel, Zé Nogueira, Jurim Moreira e João Batista.
Estão programados também concertos em igrejas históricas da cidade, como a Candelária e o Outeiro da Glória. No último dia, o público poderá participar da “chuva de poesia”, quando papéis coloridos serão lançados da torre do Outeiro da Glória com uma seleção de obras de expressivos poetas surrealistas portugueses, como Teixeira de Pascoaes, Mário de Sá-Carneiro, Mário Cesariny e António Maria Lisboa.
— O Mimo surgiu em 2004, na cidade de Olinda (PE), com o objetivo de levar o melhor da música instrumental brasileira e internacional ao grande público, em concertos gratuitos e apresentados no interior das igrejas e demais espaços históricos edificados. O festival está intrinsecamente associado ao patrimônio, à cultura, aos bens culturais e à educação — destaca Lu Araújo, idealizadora do Mimo.
Na lista de atrações há também os workshops e as aulas no Museu da República, no Catete, e na Escola de Música Pró Arte, em Laranjeiras, com alguns dos artistas participantes. Estão confirmadas aulas com Bixiga 70, Mario Laginha e Pedro Burmester (Portugal), Antonio Nóbrega, Pat Thomas, Jacky Terrasson e Stéphane Belmondo. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 6 na página do festival. No site também está a programação completa do Mimo.
Já a partir do dia 1° de novembro, o RioWinds Festival — Festival Internacional de Sopros reúne atrações com ênfase na flauta, no oboé, corne-inglês, clarineta, saxofone e fagote para comemorar os 19 anos do projeto Música no Museu — série de concertos gratuitos que acontecem mensalmente em centros culturais e históricos por toda a cidade.
— A crise nos afetou bastante e perdemos muitos patrocínios, mas, mesmo com todos os empecilhos, resolvemos manter o festival de pé no peito e na raça, mesmo tendo que diminuir a quantidade de atrações estrangeiras — diz o idealizador do projeto, Sérgio Costa e Silva.
O programa conta com 31 concertos (quatro deles em São Paulo e um em Porto Alegre) em locais como o Museu da República (Catete), Clube Hebraica (Laranjeiras), Iate Clube (Urca) e Museu de Arte Moderna (Parque do Flamengo).
O curador do RioWinds é o oboísta e compositor americano Harold Emert, que teve como fonte de inspiração os festivais anuais internacionais. Ele espera que o evento ajude a criar um novo ciclo para os instrumentos de sopro na cidade, principalmente os de palheta dupla, como o oboé e o fagote.
A programação completa pode ser conferida no site.
DOMINGOS DE NOSTALGIA EM COPACABANA
Em tempos de imediatismo, em que de um dia para o outro novas bandas surgem e desaparecem do mapa com a mesma velocidade, nada melhor do que celebrar os nomes consagrados da música que conquistaram diferentes gerações de fãs. Esse é o objetivo do projeto “Tardes de domingo”, promovido pela TV Globo no seu quiosque na orla da Praia de Copacabana (na altura da Rua Miguel Lemos). A terceira temporada da atração, gratuita, começa neste domingo, com shows como o do grupo Golden Boys. No repertório, sucessos como “Alguém na multidão”, “Andança”, “Erva venenosa” e “Fumacê”. Formada atualmente pelos irmãos Ronaldo, Renato e Mario Correa, a banda também vai desfilar canções que viraram hits em gravações de nomes como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa e Roupa Nova.
— O Tardes de Domingo foi criado em 2014 para que o público pudesse relembrar e conhecer músicas e artistas que marcaram gerações. Tivemos grandes nomes na primeira e na segunda temporadas, como Hyldon, Kiko Zambianchi, Michael Sullivan, The Fevers, Rosanah, Wanderley Cardoso, Sidney Magal e Elymar Santos. Ouvir o público cantando músicas que fizeram parte da sua história é muito bom. É emocionante. E ver crianças com seus pais e avós ouvindo aquelas canções pela primeira vez é melhor ainda — afirma André Dias, diretor de Projetos Especiais da TV Globo.
A temporada contará, ainda, com as apresentações de Eduardo Dussek (dia 6), Bebeto (dia 20), Jerry Adriani (dia 4 de dezembro) e Sylvinho Blau Blau e Dr. Silvana (Dia 11 de dezembro). As apresentações começam sempre às 17h. Livre.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Bárbara Lopes