Faculdade da Tijuca mantém espaço dedicado exclusivamente às mulheres

“O seu espaço de constante atualização”. Esse é o slogan da Universidade da Mulher, um espaço voltado para o público feminino que funciona desde 2000 dentro do campus Tijuca da Universidade Cândido Mendes. No local, são oferecidas diversas atividades culturais, além de aulas, passeios e seminários.

A maioria das mulheres que se inscreve têm majoritariamente entre 60 e 90 anos, apesar de ão haver limite ou exigência de idade. Por ano, são abertas duas turmas com cerca de 80 alunas. O conteúdo das aulas muda todo mês. No final de cada um, elas recebem a programação do período seguinte. Os assuntos abordados vão da área de saúde à psicologia, passando por História, música, cinema, economia, literatura, artes e moda. As classes acontecem às quintas-feiras, das 14h às 15h, e das 15h30m às 16h30m.

De acordo com a coordenadora Célia Bahia, os professores apresentam sempre temas atuais.

— Abordamos problemas de saúde, como as epidemias de dengue e de zika, por exemplo. E discutimos também temas como a Lei Maria da Penha e a que amplia os direitos das domésticas — diz Célia. — Procuramos mantê-las em dia com o que acontece. Há alunas que estão com a gente há 16 anos. Isso mostra que sempre estamos com coisas novas.

Há 12 anos na Universidade da Mulher, a professora de História Lili Rose afirma que os assuntos colocados por ela em sala de aula têm uma pegada diferente das classes normalmente oferecidas em uma grade curricular.

— As alunas não querem aquela aula básica. Elas estão em busca de assuntos curiosos; muitos relacionados à História do Brasil. Já falei por exemplo da vida amorosa de Dom Pedro I e sobre a Princesa Isabel. Também foco muito na cidade do Rio — explica Lili Rose.

Professor aposentado de Biologia, Edson Borba ministra as aulas da área de saúde. Ele elogia as estudantes e afirma que quando começou no curso, há quatro anos, precisou ficar mais atento ao que acontecia no dia a dia.

— Elas são muito vividas e cultas. Temos que dar uma aula caprichada, senão nem pedem para eu voltar. Digo com sinceridade e modéstia: não é qualquer um que consegue dar aula para elas — conta Edson, que elogiou a postura das senhoras. — São pessoas que não estão paradas fazendo bolinhos, tricô ou vendo fofoca na televisão. É muio importante estar sempre se atualizando, não importa a sua idade. A vida não pode parar.

Célia Bahia diz que além de adquirir mais cultura, outro ponto forte da Universidade da Mulher são os laços de amizades que se formam.

— Muitas se tornaram amigas e fazem atividades juntas, fora da universidade. Sempre no final do ano, entregamos um diploma de curso livre e fazemos uma mega festa.

Fonte: O GLobo
Foto: Fernanda Dias / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior