No calendário oficial, ainda faltam 12 dias para a Festa de Momo começar. Mas, como tem acontecido em anos anteriores, a folia pré-carnavalesca vai tomando conta da cidade antes mesmo do primeiro grito de Carnaval. E neste domingo, a festa foi bem democrática, dando espaço para todo mundo: de aspirantes a foliões veteranos.
Às 8h, a engenheira Úrsula Ribeiro chegou com sua filha Ana Clara, de 6 meses, para a concentração do “Bloco dos Mini Seres do Mar”, na General Glicério, em Laranjeiras.
– Ano passado vim com ela na barriga e, este ano, trouxe para curtir a bagunça. Aqui é ótimo, bem arborizado, não fica quente para eles, e as músicas são todas infantis. Ela está adorando.
Perto dali, outros foliões – dessa vez a maioria adultos – desfilavam no Bloco “Volta, Alice”, que sobe a Rua Alice. O tema “Volta Alice no país da canalhice”, incentivou manifestações políticas. Não faltaram pessoas com mensagens que pediam a saída do prefeito Marcelo Crivella.
Fantasiado de palhaço, um senhor (que não quis se identificar) fazia bolinhas de sabão enquanto assistia ao desfile do bloco “Volta Alice”, em Laranjeiras.
– Sempre gostei da bagunça, mas agora, aos 75 anos, prefiro ficar um pouco de longe, não gosto mais de ficar lá no meio, não.
Em Botafogo, o Bloco “Calma, calma, sua piranha” partiu da esquina da Rua Real Grandeza com a Rua Visconde Caravelas reunindo moradores da região. Liderada por um grupo de senhoras vestidas de diabinhas, a bateria acompanhava a letra sacana de seu samba. Por lá, a crítica política foi ao presidente em exercício, com foliões usando brincos com o lema “Fora Temer”.
Com uma homenagem ao mestre Chacrinha, o “Me esquece” tomou as ruas do Jardim Botânico. Na bateria, integrantes representavam personagens, como Elke Maravilha, além é claro, do próprio Chacrinha, vivido por Alexander Fidélis, recriavam o cassino mais amado do país.
Os demais, entre eles alguns idosos, vestiam camisetas que traziam uma imagem do apresentador, e muitos tinham adereços que lembravam o Velho Guerreiro. Leleco Barbosa, filho de Chacrinha, participou da festa.
O bloco também contou com a presença de famílias que desfilavam com a mesma fantasia. Gisele e Paulo Carvalho e a pequena Maria Luiza, de 3 anos, filha do casal, eram os super-heróis da Liga da Justiça.
— Desfilamos desde o início do bloco, há mais de 10 anos. Essa bateria tocou no nosso casamento em 2010, e Maria Luiza vem conosco desde que nasceu. É um bloco divertido e muito familiar — diz Gisele.
O desfile também contou a presença das Fantasianys, um grande grupo de amigas que há 4 anos desfilam com a mesma fantasia pelo carnaval do Rio. No “Me esquece” foram 60 mulheres vestidas de “cartesianas”, jogos de cartas.
— Somos um baralho completo e no carnaval mesmo vamos desfilar com 150 meninas.
A cada ano o grupo cresce mais. Começamos a nos organizar de 2 a 3 meses antes, preparando as fantasias e os adereços — explica Natassha Cury, uma das organizadoras do grupo.
Alguns foliões aproveitaram para se divertir e ainda ganhar um dinheirinho extra como o empresário Edson Nobre, que com muito humor oferecia uma “sprayzada” de desodorante por R$ 2.
— A ideia surgiu porque uma vez percebi que o meu desodorante estava vencido e depois levei um desodorante para o bloco e quando tirei da mochila várias pessoas me pediram emprestado. Aí passei a oferecer esse serviço — se diverte ao explicar.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior