Do esporte à gastronomia, novidades que chegam com o verão Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/verao/do-esporte-gastronomia-novidades-que-chegam-com-verao-18331260#ixzz3v3QPupib © 1996 – 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

No dia 22 de dezembro entra em cena uma nova estação. O verão ainda não começou, mas as altas temperaturas já são sentidas na cidade. Meteorologistas afirmam que a temperatura média no Rio ficará entre 32 e 34 graus, mas na Barra, o clima promete esquentar ainda mais com as novidades que já estão movimentando seu território.

Os banhistas que estiverem curtindo praia no Recreio ou em Grumari não devem estranhar se avistarem parapentes pelo céu: não é mais só de São Conrado que eles decolam. Na Reserva, está se tornando comum encontrar um grupo de pilotos de paramotor se preparando para ganhar altura.

Quem gosta de andar na corda bamba — ou melhor, de slackline — pode aproveitar os novos pontos abertos na região.

Os menos radicais também têm opções. Além de abrir sua própria sede no Joá, a empresa 360 Sports está oferecendo mais diversão, traduzida num caiaque duplo, de fundo transparente, e numa water ball. A Casa do Remo, conhecida de quem pratica stand up paddle em Guaratiba, terá unidades na Barra e no Recreio. Já o espaço Pura Vida, que acaba de completar um ano, abriu no Posto 7 o primeiro quiosque vegetariano da orla.

Vargem Grande também foi contemplada com uma opção de alimentação saudável, o Bistrô Natural.

Para eternizar até os momentos debaixo d’água, há aulas de fotografia subaquática. O que não vale é ficar parado. Por isso, O GLOBO-Barra selecionou 11 programas para curtir o calor.

VOO: DESBRAVANDO NOVAS RAMPAS

Dono do Quiosque do Russo, em Grumari, e apaixonado pelo voo livre, Ronaldo Pierroni viu no morro que separa Grumari da Praia do Inferno o lugar ideal para construir uma rampa de pouso e decolagem, ainda na década de 1990. Fazia a manutenção da trilha de acesso e da rampa até o ano passado. Na areia, instalou uma biruta para orientar os pilotos e um gramado de pouso, destruído com a recuperação da vegetação nativa. Costumava avisar a seus amigos quando as condições estavam boas para o esporte. Pierroni morreu em 2014, mas deixou o seu legado.

— O Ronaldo era uma referência entre os voadores e um ícone de Grumari — lembra o instrutor de voo Luiz Ireno, do São Conrado’s Tandem Flight, que aprendeu a voar no local.

O atleta sandro Cardoso se prepara para decolar e Luiz Ireno espera a sua vez – Hermes de Paula
Agora que a dor se tornou saudade, pilotos voltaram a frequentar a rampa de 120 metros de altura.

— A decolagem de Grumari permite que você sobrevoe todas as praias desertas (Perigoso, Meio, Búzios, Funda e Inferno) e veja a Restinga da Marambaia e a Pedra do Telégrafo. É um voo incrível, acredito que o mais bonito do Rio, porque você fica diante do mar caribenho e da Mata Atlântica e não vê construção alguma — diz Sandro Cardoso, da Fly in Rio.

O Morro do Rangel, no Recreio, onde há uma rampa de 200 metros de altura, é outra opção que vem se popularizando. Há duas trilhas para chegar ao topo. No bairro, já foi criada até a Associação de Voo Livre do Recreio dos Bandeirantes.

— O visual é lindo, dá para ver toda a Praia do Recreio e a Macumba, além das Vargens e da Pedra do Pontal. É ideal para curtir o visual num voo de fim de tarde — conta o piloto Nelson Seixas.

PARAMOTOR NA RESERVA

O paramotor, uma brincadeira de gente grande em que o equipamento custa de R$ 25 mil a R$ 30mil, cada vez mais conquista o seu espaço. Tanto é que em agosto do ano passado foi criada a Federação de Paramotor do Estado do Rio de Janeiro (Feparj). No Rio, um grupo costuma se reunir na Praia da Reserva, em frente ao quiosque Cavalo Marinho.

— Costumamos nos encontrar em uma praia vazia ou em um campo aberto. A Reserva é ideal, porque lá temos mais espaço para decolar e não incomodamos os banhistas com o barulho dos motores — explica Antonio Lage, presidente da Feparj.

Pilotos decolam da Reserva para aproveitar o espaço e não incomodar os banhistas com o barulho dos motores – Fábio Rossi
Com sete instrutores cadastrados e em atividade em Rio, Niterói, Maricá, Saquarema e Rio das Ostras, a entidade vai iniciar no ano que vem um trabalho para qualificar e credenciar mais profissionais. O instrutor Paolo Giglio já formou mais de 25 alunos desde que começou a dar aulas, há cinco anos.

— O paramotor propicia uma praticidade muito grande, porque você não depende da montanha, como no voo livre, além de sua logística ser mais simples. É possível voar de qualquer lugar e em baixas alturas ou a mil metros. Dá para voar apreciando a paisagem ou fazendo manobras radicais. É muito gratificante poder mostrar aos alunos o mundo que nós enxergamos. Só quem experimenta pode saber — conta Giglio.

ROLANDO SOBRE AS ÁGUAS

Inaugurada neste fim de semana no Joá, de frente para a Praia dos Amores, a nova sede da 360 Sports tem o objetivo de se tornar um clube de esportes, do qual será possível se tornar sócio para praticar stand up paddle, andar de caiaque, fazer flyboard e brincar na water ball, uma bola de plástico transparente que é inflada com a pessoa já dentro do brinquedo.

— Estava na Califórnia quando vi uma galera brincando com essa bola na praia e resolvi trazê-la para cá. Nós a apelidamos de bola hamster, mas cada um usa um nome. É possível ter duas pessoas lá dentro se cada uma pesar até 75 quilos, para ficar ainda mais divertido — afirma Claudio Matos, um dos sócios da empresa.

Kilder Aride Alvim FIlho tenta se equilibrar para ficar de pé dentro do brinquedo inflável: ele diz que é divertido tentar andar – Ana Branco
Cliente da 360 Sports desde a sua inauguração, há pouco mais de um ano, Kilder Aride Alvim Filho experimentou a brincadeira e conta que teve a sensação de andar sobre a água.

— Dentro da bola, é preciso se movimentar e manter o equilíbrio. E, para que ela se mova, é necessário tentar andar. A brincadeira cansa bastante e dá até para perder o fôlego. É superdivertido; a sensação é única — garante.

VISTA PARA O FUNDO DO MAR

Outra atração que tem recebido grande procura na 360 Sports é um caiaque com fundo transparente, feito com um material semelhante ao acrílico mas que não fica embaçado após longo período de uso. Muitos clientes querem fazer a travessia até as Ilhas Tijucas. A embarcação comporta duas pessoas.

Vinícius Cardoso, fã do novo caiaque, diz que seu filho, Joaquim, nem dorme direito quando ele marca um passeio.

— É uma oportunidade de curtir a paisagem do fundo mar. Não é só o meu filho. A criançada toda fica louca! Eles gostam de ir contando os peixinhos que passam por baixo da gente. Dá para ver tartarugas, corais, observar a vida marítima. É uma ótima distração. O tempo passa e fazemos exercício sem nem perceber — declara Cardoso.

Vinicius Cardoso e o filho Joaquim no caiaque – Ana Branco
NOVIDADE NA MACUMBA

Este fim de semana, três anos após abrir a Casa do Remo em Barra de Guaratiba, Cavalcanti está inaugurando mais uma unidade, na Praia da Macumba. A expectativa é que nos próximos dois anos o espaço tenha dez sedes em todo o Brasil.

— Quisemos levar para o Recreio o mesmo serviço que oferecemos em Guaratiba. Mas este espaço é diferente, porque tem piscina e uma infraestrutura que poderão ser aproveitadas pelas famílias e por acompanhantes de quem estiver no mar. Vamos oferecer SUP, pranchas de surfe e longboard e o SUP surfe. Também teremos uma guarderia de pranchas. E haverá uma churrasqueira que poderá ser alugada. Estamos bem animados — adianta Cavalcanti.

A unidade tem estrutura para a família – Divulgação/Duca Cavalcanti
CASA NOVA NA BARRA

No próximo fim de semana, a Casa do Remo vai abrir uma unidade na Barra que ficará dentro do Caza 3, um espaço que reunirá estúdio de tatuagem, uma loja de roupas, um restaurante de comida japonesa e um bar.

— O diferencial desse espaço serão as expedições que vamos promover para as Ilhas Tijucas, a Joatinga e outros lugares. Teremos um barco e um jet-ski para acompanhar e dar apoio à galera que estiver remando — destaca Duda Cavalcanti.

Quem contratar o serviço da guarderia ou for cliente vip poderá desfrutar as três unidades da Casa do Remo.

— Queremos ampliar o nosso público. Tinha muita gente que achava Barra de Guaratiba longe. Cada vez mais há mais pessoas praticando esportes e querendo fazer stand up paddle — afirma Cavalcanti.

A filial da Casa do Remo no local ficará dentro de um espaço com lojas e restaurante – Divulgação/Duca Cavalcanti
FOTOS SUBAQUÁTICAS

Fotógrafo há 15 anos, Alvinho Duarte começou a dar aulas de fotografia subaquática este ano, na escola de mergulho Brazil Divers. Segundo ele, a procura tem sido grande devido à evolução da tecnologia desde o lançamento das câmeras GoPro, que facilitam inclusive a vida de fotógrafos amadores.

— O curso é dividido em dois módulos teóricos, um treinamento na piscina e uma saída para mergulhar no mar. As turmas têm no máximo cinco alunos. A carga horária é de 19 horas e o tempo para a conclusão vai depender de cada um; tem gente que faz em quatro dias. Não precisa ser mergulhador certificado — destaca Duarte.

Debaixo d’água, é preciso aprender a compensar as distorções das cores por causa da profundidade e entender que os objetos parecem ficar maiores e mais distantes do que estão na realidade. Fábio Januzzi buscou as aulas para aprender a técnica.

— É muito legal fazer fotos dentro do mar. Aprendemos a técnica e a segurança. Quero levar o que eu vejo para pessoas que não têm a possibilidade de admirar um peixe ou uma arraia de perto — completa o aluno.

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Aluno do curso de fotografia subaquática do instrutor Alvinho Duarte, da Brazil Divers – Divulgaçao/Alvinho Diarte
NOVAS LINHAS DE SLACKLINE, HIGHLINE E WATERLINE

Morador da Barra, Bruno Migueis ajudou na criação da Federação de Slackline do Estado do Rio de Janeiro (FSRJ) em agosto e se tornou o presidente da entidade. Um dos objetivos é profissionalizar a modalidade e melhorar a comunicação entre os praticantes e as federações e associações de montanhismo, pois a escalada e o highline dividem o mesmo espaço. Outro é oferecer orientação a quem deseja começar a praticar a modalidade. Migueis diz que seu maior desejo é que o esporte se desenvolva, e revela que não param de surgir novos novos locais para a prática na região.

— Foi aberta uma linha de 600 metros na Garganta do Céu, na Pedra da Gávea. Na altura da Praça do Ó, tem um ponto fixo na areia para a prática do trickline (execução de manobras sobre a fita). Em frente ao quiosque Soul Prainha, na Prainha, também tem um local para a prática. Abrimos um highline de 30 metros de altura e 25 metros de distância na Pedra da Tartaruga; o acesso para quem quer aprender é fácil, e dali se tem todo o visual da Restinga de Marambaia. Na altura do Posto 12, há diversas ancoragens onde é possível colocar até quatro fitas ao mesmo tempo. E, na Pedra do Recreio, dá para fazer waterline a 25 metros de altura — enumera Migueis.

Bruno Migueis caminha sobre a linha montada na pedra da Praia do Recreio – Divulgação/ 100limitefilmes
TODOS A CAMINHO DO MAR

Colecionando histórias e conquistas, começa a oitava edição do Praia Para Todos, neste fim de semana, no Posto 3 da Praia da Barra, em frente à Praça do Ó. O projeto, do Instituto Novo Ser, oferece esportes e lazer na praia a pessoas com deficiência.

Em oito anos, foram cerca de 3.500 pessoas atendidas. Nesta edição — que será realizada até 30 de abril do próximo ano —, o público poderá aproveitar atividades como escolinhas de vôlei sentado e de surfe adaptado, e um bom banho de mar com a cadeira anfíbia, uma das marcas do Praia Para Todos.

O projeto, normalmente, é oferecido apenas no verão. Mas, durante as Olimpíadas e as Paralimpíadas, a programação será retomada, nos fins de semana, assim como aconteceu durante a Copa do Mundo, no ano passado.

Marcelo Silva Cardoso dos Santos, de 23 anos, estudante de Publicidade e Propaganda e atleta de natação, se locomove com auxílio de uma cadeira de rodas e participa do projeto desde a realização da primeira edição.

— Venho desde o início. Quando eu vejo pessoas com deficiência na rua, chamo e conto sobre o projeto, que proporciona inclusive momentos de interação social. Mas sei que é difícil (participar), porque depende de cada caso — conta.

Ele acredita que o Praia Para Todos e outras iniciativas estão tornando o Rio mais amigável para a pessoa com deficiência, mas que ainda há muito a ser feito.

Marcelo Silva Cardoso dos Santos participa do projeto desde o início – Mônica Imbuzeiro
— Houve uma ligeira melhora nos transportes, mas ainda é preciso preparação por parte dos funcionários, por exemplo. Falta humanizar o atendimento — diz.

A luta pela acessibilidade é a principal bandeira do Praia Para Todos. Durante o projeto, a paisagem do Posto 3 é modificada com tendas infláveis e piso de tablado para o deslocamento das cadeiras de roda na areia. O engenheiro Denis Fernandes, voluntário desde a primeira edição, conta que, muitas vezes, chegar até a praia, por si só, é uma dificuldade:

— O acesso à areia é muito difícil, mesmo para quem vem de carro. Até no entorno, a quantidade de vagas é um fator limitador, e as pessoas não respeitam as placas. Durante o projeto, além de contarmos com o auxílio dos bombeiros, temos o apoio de agentes operacionais para controlar o estacionamento irregular.

Os encontros são uma oportunidade de a pessoa com deficiência, muitas vezes, retomar a vida social. Devido às dificuldades, não é raro que muitos evitem sair da casa. Por isso, a programação ainda conta com luau e bloco de carnaval. Voluntária há seis anos, a fisioterapeuta Camila Curvello Vasconcellos destaca o sucesso do projeto, que, a cada edição, conta com um público maior e mais variado, recebendo de crianças a idosos.

— Nós temos profissionais das áreas de educação física e fisioterapia, além de estagiários e voluntários. Mas sabemos que vamos aprender bem mais do que ensinar. O familiar, muitas vezes, é o nosso orientador. Quem faz o acompanhamento no dia a dia aprende lições que só o convívio traz — observa Camila.

QUIOSQUE NA PRAIA COMO EXTENSÃO

O espaço Pura Vida acaba de completar um ano e de inaugurar um quiosque na praia, na altura do Posto 7. O local é o primeiro da orla a oferecer uma alimentação 100% vegetariana.

— Eu e meus sócios sempre fomos muito ligados à praia, e tínhamos vontade de levar nossa proposta de uma vida saudável aliada ao esporte para a beira-mar. Lá, além do SUP, vamos oferecer atividades como ioga, treinamento funcional e aulas de surfe. Queremos que o quiosque seja um lugar onde a pessoa possa dar o primeiro passo para se cuidar melhor e desestressar — diz o sócio Pedro Pires.

O quiosque Pura Vida também vai promover a meditação da lua cheia uma vez por mês, shows e exposições de quadros de novos artistas.

A partir de 20 de janeiro terá início o serviço de delivery, para a Barra e a Zona Sul.

Os sócios Lucas Dertoni (à esquerda), Bruno Buarque, Pedro Pires, Lucas Santos e Bruno Marques – Ana Branco
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

Num espaço de 65 metros quadrados no Polo Gastronômico de Vargem Grande, a professora de ioga Renata Silveira abriu o Bistrô Natural, para dividir com outras pessoas o que aprendeu sobre os princípios da culinária ayurvédica, que tem como base o equilíbrio dos temperos. O cardápio foi elaborado em parceria com a chef Paula Pongeluppi, especializada em comida vegana.

No estabelecimento, há tortas diet e integrais, bolos sem glúten e delícias como bobó de shiitake, terrine de cogumelos, lasanha de vegetais recheada com ricota, quibe de abóbora, nhoque de baroa ao molho pomodoro, hambúrguer de shimeji, almôndegas de tofu com quinoa, estrogonofe de grão-de-bico com shiitake, moqueca de palmito-pupunha, lasanha de polenta com shiitake e tomates frescos

Fonte: O GLobo
Foto: Hermes de Paula
Postado por: Raul MOtta Junior