Numa tarde chuvosa, visitantes do Museu da República, no Palácio do Catete, assistiram neste domingo a uma chuva de poesia. Para celebrar o 55º aniversário da instituição, artistas que participavam do Mimo Festival — evento de música e artes realizado até ontem em vários pontos da cidade — jogaram de cima da varanda do jardim interno papéis coloridos com uma seleção de poemas de escritores como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Oswald de Andrade e Murilo Mendes, com temas ligado à República.
As folhas coloridas, lançadas sobre o público, viraram uma atração e foram recolhidas por cariocas e turistas de todas as idades. Mesmo com a chuva que começou a cair quase ao mesmo tempo que a “chuva” poética, a aposentada Ana Aparecida Aguiar, de 69 anos, fez questão de ver a performance e conseguiu recolher dez poesias em papel colorido, entre elas “O ramo de flores do museu”, de Cecília Meireles, e “Linhas paralelas”, de Murilo Mendes.
— Adorei a ideia. Poesia é tudo de bom e quero levar para meus netos lerem — disse.
A estudante Maria Luísa Fraga, 20, juntou vinte papéis, que ela pretende colar num quadro de “manifestações artísticas” que ela tem em seu quarto.
— Gostei bastante, pois foi uma oportunidade de conhecer poesias que eu nunca tinha lido, como “Capital da República”, de Oswald de Andrade — comentou.
Inventada pelo poeta, tipógrafo e artista plástico Guilherme Mansur, a Chuva de Poesia é realizada há mais de 20 anos em Minas Gerais e aconteceram pela primeira vez no Rio de Janeiro este final de semana. Foram quatro Chuvas de Poesia: uma no Museu da República e duas no Parque Lage.
Fonte: O GLobo
Foto: Divulgação/Beto Figueiroa
Postado por: Raul Motta Junior