‘Charretes elétricas’ de Paquetá são aprovadas, mas movimento ainda é pequeno

Morador da ilha e e coordenador da Casa de Artes, José Lavrador diz que quando desce da barca não sente mais “o cheiro de Paquetá”. Ele se refere aos cavalos que puxavam as charretes, que ficavam estacionadas na praça em frente à estação das barcas. No lugar delas, hoje estão modernos carros elétricos, como os usados em campos de golfe. Na ilha, eles ganharam o apelido de charretes elétricas. Cinco meses depois da substituição dos cavalos, Paquetá se adaptou à mudança. Charreteiros, turistas e até parte da população, que foi contrária à troca, estão satisfeitos com o novo transporte. Alguns problemas do passado, no entanto, persistem. A prefeitura ainda não cumpriu a promessa de construir um estacionamento para os carrinhos no lugar da antiga cocheira. E o turismo na Ilha, em baixa, ainda não garante boa receita para os charreteiros.

— Acho que a charrete elétrica é uma grande melhoria para Paquetá. Os cavalos eram forçados a trabalhar o dia inteiro, ficavam exaustos. Não vejo nenhum prejuízo para o turista — diz o carioca Marcio Belmonte, que levou os amigos Norberto Cortez, porto riquenho, e Jessie Cortez, brasileira radicada nos Estados Unidos, para passear na ilha.

Acusados por ambientalistas de maltratarem os animais e não alimentá-los adequadamente, os charreteiros agora comemoram por ter menos custos e tarefas diárias. Em maio, a prefeitura deu a cada um dos 17 proprietários de charretes um carrinho elétrico e ainda se comprometeu com a manutenção do equipamento por três anos.

— Sinto falta dos cavalos, mas antes eu tinha que acordar de madrugada para alimentar, dar banho e tratar dos animais. Além disso, tinha que pagar comida e veterinário. No fim do mês, não sobrava dinheiro para mim — diz o diretor da associação de charreteiros, que ainda mantém o nome de Charretur, mesmo após a mudança no transporte.

PAQUETÁ ANTES E DEPOIS DAS CHARRETES ELÉTRICAS

TURISMO NÃO DECOLA

Apesar da boa adaptação das charretes elétricas em Paquetá, antigos problemas ainda incomodam os charreteiros. Um deles foi também um dos motivos para as acusações de maus-tratos: a cocheira, em péssimo estado de conservação, com esgoto correndo a céu aberto entre as baias dos animais. No espaço, a prefeitura prometeu construir um estacionamento para os carrinhos, mas, até agora, tudo continua da mesma forma. O esgoto das casas vizinhas continua correndo por uma canaleta dentro da cocheira e caindo direto na Praia dos Frades. Enquanto isso, os carros ficam guardados à noite na sede da Administração Regional da ilha.

Mesmo agradando, a charrete elétrica, sozinha, não foi capaz de atrair os turistas, necessários para movimentar a economia do lugar.

— Houve Copa do Mundo e Olimpíada no Rio, mas ninguém fez nada pra incentivar o turismo em Paquetá. O movimento continua fraco, seja com cavalos ou não. Tenho feito no máximo dois passeios com turistas por dia. É muito pouco. São 17 carros elétricos. Não tem turista para todo mundo — diz Ubirajara de Araújo, o Bira, de 64 anos, que trabalha há 45 como charreteiro.

Para sobreviver e competir com os ecotáxis — triciclos elétricos que funcionam na ilha há alguns anos — os charreteiros passaram a fazer também o serviço de lotada. Além dos passeios turísticos, pelos quais cobram R$ 100 (50 minutos) e R$ 70 (30 minutos), eles passaram a transportar pessoas de um ponto a outro por R$ 5. A única condição é que seja um grupo de no mínimo três passageiros. Se for apenas um, terá que pagar R$ 15.

A prefeitura informou que o projeto para reforma da cocheira está em fase de finalização. E que assim que for concluído será anunciada a data para o início da obra.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior