Enquanto o coronavírus continua se espalhando pelo país, a recomendação mais divulgada para se prevenir é “fique em casa”. Mas e quanto às pessoas em situação de rua, ainda mais expostas à ameaça do vírus? Pensando nesses cidadãos, o projeto Ronda Urbana de Amigos Solidários (RUAS), que já prestava assistência a essa população, lançou a segunda fase da campanha #PopRuaEuMeImporto, incentivando a criação de pontos fixos de doação de alimentos e itens de higiene para quem não tem onde morar.
A campanha #PopRuaEuMeImporto foi bolada para ampliar o impacto das ações em prol da população em situação de rua durante a pandemia. Na primeira fase, o projeto incentivou as pessoas a criar kits com alimentos e produtos de limpeza e doar a quem não têm residência. Na segunda fase, foi criado um site com todas as orientações para que colaboradores montem um ponto fixo de doação desses mantimentos, podendo também registrá-lo no mapa ilustrado na mesma plataforma virtual.
A ativista Thaís Ferreira, uma das responsáveis pelo mapeamento de mulheres em situação de vulnerabilidade em meio à pandemia do coronavírus Foto: Arquivo Pessoal
– O objetivo da campanha é engajar a sociedade civil a ajudar a população em situação de rua nesse momento de pandemia, sem criar exposição para ambos. Foi a forma de a gente continuar dando assistência, lembrando a todos que essas pessoas também existem, que passam fome e têm suas necessidades – comenta Larissa Montel, gestora do RUAS.
O projeto tem base no Rio, mas a campanha foi criada para ter alcance nacional, uma vez qualquer pessoa em qualquer cidade do Brasil pode se engajar. A ativista comemorou ao ver registros de pontos de doação em São Paulo e no Espírito Santo.
Antes da determinação de isolamento social, a ONG promovia as chamadas “rondas”. Eram encontros semanais em que os voluntários proporcionavam um jantar para pessoas em situação de rua. As refeições terminavam com uma roda de conversa e atividades para levar informação e levantar reflexões entre os assistidos. Larissa Montel explica que, em virtude da Covid-19, o foco do projeto foi modificado:
– Normalmente, nossas atividades buscam promover autonomia e fortalecer a autoestima das pessoas em situação de rua. Mas tivemos que readaptar tudo. Agora, eles precisam de itens básicos para garantir a sobrevivência – diz.
Olga Grichtchouk, de 27 anos, é uma entre 70 voluntários do RUAS. A moradora do Flamengo, na Zona Sul do Rio, aderiu à ideia da ONG e montou um ponto de doação num local movimentado perto de casa, onde viu algumas pessoas em situação de rua.
– Estamos em um período atípico. O comércio está fechado, restaurantes e lanchonetes também. Há menos possibilidades para eles conseguirem comida. Além disso, estão mais expostos ao vírus. Montar pontos de doação com alimentos e itens de higiene foi a opção mais viável que encontrei – pondera a estudante de pós-graduação.
Na elaboração da campanha, um grupo de entre dez e 15 voluntários abriram os trabalhos como pilotos, para ajudar a construir a ideia dessa ação junto com a ONG. Enquanto isso, a plataforma virtual estava sendo produzida. Participante antigo do RUAS, o voluntário Fabrício Vieira, de 33 anos, atuou como um dos pilotos.
– Encontramos uma nova forma de ajudar. E acredito que só precisamos sensibilizar mais as pessoas para contribuírem com essa ação também – comenta o ativista.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior