Como numa reação química, a mistura entre Rio, cariocas e turistas libera vida e calor. Quanto mais gente se adiciona à combinação, maior a efervescência em áreas ao ar livre. Com a cidade cheia para o réveillon, a noite serviu, nestes primeiros dias do ano, como o ingrediente que é acrescentado na hora exata para impedir a saturação. Foi ela quem aplacou as altas temperaturas e levou as pessoas às ruas e à praia em busca de refresco após o pôr do sol.
Em rodas de violão na Praia de Ipanema, de samba na Lapa e de amigos skatistas na Praça Mauá, a vontade era uma só: aproveitar o clima, tanto o de verão quanto o de festa. Foi o que fez a carioca e ilustradora Carolina Melo no sábado. Ao cair a noite, ela subiu a Pedra do Arpoador, sentou-se perto de um grupo que cantava músicas e começou a relaxar.
— Tenho aprendido a valorizar cada vez mais esses momentos. Como trabalho muito durante o dia, só me sobra a noite para o lazer. Nesta época do ano, com o calor, posso vir à praia e curtir — disse Carolina.
Enquanto alguns buscam a brisa do mar, o chileno Vjekoslav Rafaeli escolheu o agito da Lapa para aquecer o espírito neste começo de 2016. Jogador de basquete da seleção de seu país, ele chegou ao Rio na última semana de 2015 para aprender português. Ao se deparar com o bairro boêmio, cheio de samba e pessoas por suas ruas, tratou de conseguir um emprego num bar. É lá que passará as noites de verão.
— O que menos importa é o dinheiro. Estou aqui porque quero aprender, e fazer isso num ambiente como este é muito prazeroso — disse, animado, enquanto servia clientes no primeiro dia do ano.
Nunca falta gente nas noites de verão da Lapa, e, em Copacabana, não é diferente. Foi nesse clima que a família do restaurador de documentos Jucelir Pimenta prolongou as comemorações do réveillon. Ele faz parte de um grupo de dez pessoas que, após passar a virada de ano numa igreja, percebeu como é bom aproveitar a noite na praia.
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— Aqui, na areia, a gente vê como o Rio está vivo à noite. De uma ponta à outra, são vários estilos e culturas, mas o objetivo de todos é um só, a diversão — afirmou Pimenta.
Um outro lugar que está “bombando” à noite é a revitalizada Praça Mauá, que, para Renato Feijó, virou uma espécie de quintal de sua casa. Morador do Morro da Conceição, logo ali ao lado, e dono de um hostel em frente à área de lazer, ele passou a frequentá-la após a lua aparecer, sempre levando seus três filhos para andar de patinete.
— Durante o dia, o calor é muito forte para eles. Agora, a praça está mais segura, e a brisa noturna do mar é uma delícia — disse Feijó.
Fonte: O GLobo
Foto: Daniel Marenco / Agencia O Globo
Postado por: Raul Motta junior