As águas das chuvas somadas às do lençol freático estão inundando boa parte do Bosque da Barra, que está com o sistema de drenagem sobrecarregado. Como primeiro sintoma, a vegetação local está morrendo, além de apresentar amarelamento e perda das folhas, o que já preocupa especialistas e frequentadores do parque.
O ambientalista Mário Moscatelli percebeu a situação ao sobrevoar a região na semana passada, pelo seu projeto Olhoverde, em que faz fotografias aéreas de parques e lagoas da região.
— O que me chama a atenção é que foram criadas vias novas na região, que podem ter gerado algum impedimento na circulação do lençol freático — pontua o especialista, referindo-se às obras de ampliação da Avenida Jorge Curi, entregues no fim de 2018.
Segundo a Secretaria municipal de Meio Ambiente, a ampliação das áreas alagadas foi identificada no início de 2019, depois da instalação de um poço artesiano para evitar problemas de seca que ocorreram anteriormente. Como não houve redução no nível das águas, a secretaria fez vistorias e estudos para determinar as causas dos alagamentos, mas ainda não há data prevista para a entrega dos resultados. Uma das possibilidades investigadas é de um ciclo natural do lençol freático.
— Tudo são hipóteses, mas essa do ciclo natural eu consideraria a menos provável — rechaça Moscatelli.
Ecossistema ameaçado
A economista Patricia Medeiros, moradora da Barra, disse que um funcionário que alugava triciclo no bosque também apontou a obra como causa do alagamento. Visitando o local no último dia 10, ela percebeu outros problemas para o ecossistema da região.
— Além da área alagada, só vi duas espécies de animais, bem diferente da última visita, quando vi várias. Toda a vegetação estava abandonada; e o local, com muito mato. Fiquei chocada — lamentou a moradora, que frequenta o bosque há 30 anos.
Moscatelli alerta ainda que o problema é parecido com o que está acontecendo na APA das Tabebuias, que também se iniciou após a abertura de uma nova via — neste caso, a Transolímpica:
— Lá, esse problema já ocorre há alguns anos, e a coisa só está se complicando. Espero que isso também não aconteça no Bosque da Barra. Precisamos passar da fase dos estudos. Até para estudar, temos que ter um cronograma. Porque o bioma, o ecossistema, a capivara, o jacaré, os que ainda sobrevivem naquele lugar, vão estar mortos. Temos que ter um prazo — conclui.
A Secretaria municipal de Meio Ambiente diz tratar a situação com prioridade e que aguarda a conclusão dos estudos técnicos para decidir que ação adotar, evitando, com isso, causar eventuais danos ao bioma local.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo.