As associações que representam os mais de 400 blocos que desfilam nas ruas da cidade lançaram um manifesto nesta quinta feira para reclamar da falta de apoio ao carnaval de rua do Rio. Segundo eles, a expansão da festa nas ruas da cidade tem gerado mais receitas para a cidade no turismo. Por outro lado, o aumento de público gera mais despesas de infraestrutura para os blocos, e os organizadores estão se endividando. A Prefeitura do Rio, porém, não financia os blocos como faz com as escolas de samba.
— Os blocos não suportam mais os custos. O patrocínio do carnaval de rua custa 15 milhões, mas só pagam grades, banheiros químicos, agentes de tráfego e sinalização. Se nada mudar e não tiver apoio em 2018, vai ter grade, banheiro, operadores de trânsito, mas não vai ter Bola Preta, Simpatia É Quase Amor. Não vai ter bloco desfilando. Não estamos mais dispostos a arcar com os custos sozinhos. Este ano, os blocos já tiveram que cortar músicos e segurança —desabafa a presidente da Associação Independente de blocos Sebastiana, Rita Fernandes.
O presidente da liga dos blocos da Liga do Zé Pereira, Rodrigo Rezende, ressalta também que o modelo atual não se sustenta mais
— O modelo atual de financiamento dos blocos é um suicídio a longo prazo. Não tem explicação que não haja fomento aos blocos, enquanto apenas as escolas de samba do Grupo Especial recebem R$ 24 milhões ao todo. Os blocos atraem mais de 5 milhões de pessoas.
O presidente do Cordão do Bola Preta, Pedro Ernesto Neto, reforça o coro e conta que até o momento não tem recursos para pagar o desfile de 2017, estimado em R$ 250 mil. Boa parte dos recursos serão gastos no aluguel de cinco trios elétricos.
— No Rio, os blocos não têm apoio. Em Recife, o Galo da Madrugada é divulgado pelo poder público com mais de um mês de antecedência. E tem apoio oficial. Esse ano, o Galo terá 27 trios elétricos e 40 palcos — observa Pedro Ernesto.
O presidente do Cordão do Bola Preta acrescentou que terá algumas dificuldades no desfile deste ano. Um deles é que a Riotur vetou a parada de trios elétricos em frente à Alerj, mas não explicou o motivo para o veto.
O coordenador de carnaval da Riotur, Mario Fillippo, garantiu que a prefeitura planeja conversar com os blocos e todos os órgãos da prefeitura envolvidos (secretarias de Fazenda, Cultura e Turismo) para “buscar soluções que fortaleçam os blocos”.
– A gente precisa criar novas linhas de incentivo aos blocos, mas não podemos fazer isso intempestivamente. O modelo de carnaval de rua que funciona hoje na cidade foi criado para oferecer uma infraestrutura para os blocos que não existia. Mas agora temos que aprimorá-lo – defende.
Segundo as associações de blocos, em dezembro, foi entregue uma lista de reivindicações a um representante do então prefeito eleito Marcelo Crivella. Em janeiro, o presidente da Riotur, Marcelo Alves, também foi procurado e disse não ter recebido o documento. Na versão dos representantes dos blocos, a Riotur disse que só poderia tratar do assunto depois só carnaval.
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— A Riotur, em lugar de ajudar, acaba atrapalhando. Eu tinha um patrocínio de um produto farmacêutico no valor de R$ 30 mil que cobria metade dos meus custos. Não era concorrente do patrocinador oficial. A contrapartida seria colocar um balão. Mas a Riotur vetou a propaganda e ainda terei que devolver R$ 15 mil que tinha recebido de sinal — conta Tiago Rodrigues, da Orquestra Voadora.
Os organizadores também reclamam que, além da prefeitura vetar alguns patrocinadores, algumas empresas que apoiam o poder público na organização do evento têm feito ações de marketing dentro dos blocos, o que atrapalha o desfile, bem como a grande quantidade de ambulantes autorizados a vender bebidas nos blocos.
Entre as alternativas propostas pelas ligas, estão dar subsídios diretos aos organizadores como ocorre com as escolas de samba, o lançamento de editais para blocos dividindo com eles recursos de fomento à cultura e a criação de um fundo especial para os blocos, que teria origem a arrecadação de tributos durante o período de carnaval.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta junior