O último domingo de janeiro teve ares de carnaval nos ensaios de rua de blocos e escolas de samba do Rio. Os batuques invadiram vários pontos da cidade, do Aterro do Flamengo, na Zona Sul, à Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte, onde os foliões abriram alas à alegria e à multiplicidade de ritmos tão típicas da festa carioca.
Num fim de tarde ensolarado, o Tambores de Olokun fez o som de suas alfaias ecoar no Aterro, pondo para rodar um “pelotão” de dançarinas de saias coloridas. O grupo, que tem como referência a estética do candomblé e dos maracatus do Recife, abriu o ensaio com uma louvação a Exu (entidade que leva as mensagens dos orixás nas religiões de matriz africana). Além disso, prestou uma homenagem ao maracatu Baque Mulher, que, na última quarta-feira, foi proibido pela polícia de ensaiar na Praia Brava de Caiobá, em Matinhos, no litoral do Paraná.
Mestre do bloco, o pernambucano Alexandre Garnizé, oriundo da comunidade de Camaragibe, no Recife, resumiu o espírito da apresentação.
— Isso aqui tem uma causa, divulgar as nações de maracatu e do povo pobre que vive nas periferias de Recife — disse ele, que há 20 anos mora no Rio.
A professora de ioga Shakti Leal, moradora de Botafogo, entrou nesse clima. Desde 2014 ela acompanha os desfiles e, no ano passado, decidiu integrar o bloco:
— É o meu segundo ano “girando” no grupo.
Perto dali, na Lapa, o bloco Planta na Mente se concentrou para ensaiar no lampadário do bairro, também no fim da tarde. Já na Zona Norte, o ritmo foi o mais tradicional possível: o da bateria Tabajara do Samba, da Portela, que deixou Madureira para se apresentar no bairro vizinho, Campinho, mais precisamente a Estrada Intendente Magalhães. Em Padre Miguel, na Zona Oeste, os ritmistas da Mocidade anteciparam, na Praça Guilherme da Silveira, algumas das paradinhas que prometem levantar a Sapucaí mês que vem.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior