Bloco Mulheres Rodadas decide manter Tropicália no repertório

O bloco Mulheres Rodadas, que surgiu do movimento feminista, decidiu manter “Tropicália”, de Caetano Veloso, em seu repertório no carnaval. A música foi alvo de discussão dentro do grupo por causa do uso da palavra mulata em dois trechos: “O monumento é de papel crepom e prata / Os olhos verdes da mulata / A cabeleira esconde atrás da verde mata / O luar do sertão” e “Viva a mata, ta, ta / Viva a mulata, ta, ta, ta, ta”.

Para a jornalista Renata Rodrigues, uma das fundadoras do bloco, a palavra mulata tem uma carga pejorativa e vem sendo rechaçada pelo movimento negro. De acordo com ela, o bloco Mulheres Rodadas continuará tocando a música, mas pretende fazer uma performance durante o desfile, que será na Quarta-Feira de Cinzas.

— Vamos manter a música no repertório, apesar de reconhecer que o termo mulata é muito rechaçado. Entendemos, no entanto, que o termo não é central na música e não houve qualquer intenção do Caetano de ser racista. É uma letra política, um clássico do Tropicalismo. Ainda não sabemos como será a perfomance, mas achei uma saída sensacional — comentou.

Conforme O GLOBO mostrou nesta terça-feira, marcinhas de carnaval como “Cabeleira do Zezé”, “Maria Sapatão”, “Índio quer apito” e “O teu cabelo não nega” começam a sair do repertório de alguns blocos e têm provocado discussões acaloradas.

Presidente do Cordão da Bola Preta, um dos mais tradicionais blocos da cidade, Pedro Ernesto Marinho discorda do veto às canções. Para ele, as marchinhas não foram escritas para desrespeitar as pessoas.

— Não consideramos essas marchinhas ofensivas. Quem as compôs, certamente, não tinha essa intenção. Carnaval é uma grande brincadeira. Essa polêmica não vai levar ninguém a lugar algum e até desmerece o carnaval. O preconceito está mais dentro das nossas cabeças do que nas marchinhas — afirmou.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo