No carnaval deste ano, se estiver em Copacabana, alguém pode estar de olho em você. A Polícia Militar confirma que o projeto piloto do sistema de reconhecimento facial e de leitura de placa de veículos será implantado no bairro, em caráter experimental, na próxima sexta-feira. Para que isso seja viabilizado, cem policiais estão sendo capacitados, em curso intensivo realizado esta semana no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
Em entrevista ao GLOBO, no fim de janeiro, o secretário da PM, coronel Rogério Figueredo de Lacerda tinha anunciado a intenção de implantar o programa . Ainda esta semana será formalizado um convênio entre a Secretaria de Polícia Militar e a operadora Oi, sem custo para o estado. O programa, informa a assessoria da PM por nota, “foi concebido a partir de um software desenvolvido pela empresa de telefonia”. Se aprovado, acrescenta “o projeto piloto servirá de base para o termo de referência de uma futura licitação, com a possibilidade de participação de outras empresas”.
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Utilizando de forma integrada as câmeras instaladas em Copacabana, o programa consiste no envio de informações online e on time para uma central que ficará instalada no CICC. As imagens faciais e das placas dos veículos serão analisadas por operadores que utilizarão os bancos de dados Polícia Civil (caso de reconhecimento facial) e do Detran. A gestão operacional do sistema ficará restrita ao Estado, que terá o controle do banco de dados.
Copacabana teve um crescimento de 66,7% dos roubos a traseuntes em janeiro deste ano, comparado a igual período de 2018: passou de 99 para 165 registros. De roubos em geral, o aumento foi de 48,5% (de 231 para 343 casos).
Especilizada em tecnologia, a chinesa Huawei trabalha em parceria com a Oi no piloto. De acordo com Hong-Eng Koh, especialista global em Segurança Pública da Huawei, um dos objetivos do sistema é usar a tecnologia de reconhecimento facial para reduzir o crime. Segundo ele, o modelo conecta todos os sistemas tradicionais de vídeo, mesmo os mais antigos e até os analógicos, que podem pertencer à polícia e até mesmo a empresas privadas.
— Após conectar tudo, uma plataforma especial consegue analisar todas as informações em conjunto, como o reconhecimento facial, o reconhecimento de comportamento e até de objetos. E como a rede é aberta é possível que empresas tenham seus próprios sistemas de análise e que trabalhem em conjunto — afirmou Koh.
Mas se a pessoa usa uma máscara? O executivo afirma que há outras formas de reconhecimento, como os acessórios que estão sendo usados, o jeito de andar e a cor da roupa de quem anda na rua. Ele cita países da Europa e da Ásia que já usam o sistema. Um exemplo citado por ele foi na Inglaterra que passou a adotar a tecnologia de reconhecimento facial para reduzir a violência em jogos de futebol.
— Tem diferentes formas de analisar e ver quem é. O reconhecimento facial é importante, mas sozinho não é suficiente. Assim, a plataforma permite interpretar os dados cruzando as informações, já que centenas de câmeras estão conectadas. É possível marcar uma pessoa de forma que as câmeras consigam detectar em tempo real onde ela está. O sistema pode ainda ver o histórico nos arquivos das imagens, mas isso depende da legislação de privacidade de cada país – explicou Koh.
Segundo o diretor de Operações da Oi, José Cláudio Moreira Gonçalves, a solução é voltada para o chamado mercado corporativo, como empresas e poder público.
— O segmento corporativo tem uma dinâmica que exige essas novas soluções tecnologicas. A iniciativa que estamos lançando com a Huawei é mais uma demonstração neste sentido. Por isso, estamos oferecendo serviços em linha com este tipo de demanda no mercado — afirmou Gonçalves.
Por sua vez, Koh garantiu que uma preocupação das empresas é com a segurança na informação. O executivo destacou que as imagens que vêm das câmeras são criptografadas e contam com recursos de segurança. Um exemplo é a tecnologia chamada “deep fake”, que substitui um rosto por outro. Por isso, as imagens captadas nas câmeras contam com um software que deixam uma marca de segurança, que, se for manipulada, é destruída.
— Muitas empresas (que vendem serviços de segurança) usam seus próprios algoritmos para criptografar. Como esse algoritmo não é da Huawei, não temos esse controle e não temos acesso aos dados dos clientes. O que fazemos é oferecer ferramentas para introduzir esse algoritmo na solução.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior