Batalhas dos barbeiros ganha primeira edição brasileira

Se o passinho, o rap, o samba e tantas outas formas de expressão nascidas na periferia vêm ganhando o mundo, por que não levantar a bola dos tradicionais barbeiros, sempre antenados com os cortes da moda? A cabeleireira Erica Nunes traduziu este pensamento ao criar, há três anos, uma competição artística para buscar o melhor deles. Depois de levar o evento à quadra da Mangueira, ao metrô do Rio e até a Minas Gerais, ela aposta, este ano, numa primeira edição nacional da Batalha dos Barbeiros Brasil, inspirada em reality shows americanos.

O palco de abertura do evento, gratuito, será a Arena Dicró, na Penha Circular, dia 3 de abril, ao meio-dia. As demais etapas serão em São Paulo, Salvador e Belo Horizonte, até voltar ao Rio, em 24 de julho, com os finalistas, entre 24 competidores. Ainda é possível fazer a inscrição pelo Facebook ou pelo e-mail batalhadosbarbeiros@gmail.com, enviando vídeo. Vale só para profissionais.

Para viabilizar o projeto, a idealizadora conta com o patrocínio da WAHL e da Santa Clara, que oferecerão R$ 47 mil em prêmios (incluindo produtos de barbearia) e três jurados por cidade acolhedora da festa. Perfeição, criatividade, finalização e acabamento, dentro de um tempo estipulado, serão os quesitos avaliados pela comissão, divididos em três categorias: Desenho, Tradicional e Barba Express. A expectativa de público é de duas mil pessoas.

Eleita a madrinha oficial do evento pelos homenageados, Erica montou em sua própria casa, no Mendanha, em Campo Grande, um reduto dedicado ao ofício, sob o nome de Clube Batalha dos Barbeiros. Lá funciona um misto de escola e pousada. A ideia surgiu por acaso e a partir de uma demanda daqueles que viajavam para competir e se alojavam na casa dela. Por um valor simbólico de R$ 20, eles se tornam sócios e podem utilizar o espaço em período de férias. Há até pacote triplo, incluindo passeios turísticos e passagem, por R$ 1.700. Quem vem de fora apenas para o curso de aperfeiçoamento, que dura três dias, não paga a hospedagem. O local comporta 20 pessoas, mas já recebeu mais de 70, segundo Erica.

— O projeto é, antes de tudo, social. Já tirei muita gente do tráfico de drogas. Eles me procuram para mudar de vida e aprendem o que está rolando de mais novo na área. Hoje tem quem ganhe R$ 8 mil por mês nesta profissão — diz ela. — Além disso, quem tira onda com as meninas hoje são eles e os meninos do passinho; traficante não as atraem mais.

Diretora de eventos da Associação dos Profissionais em Institutos de Beleza do Estado do Rio de Janeiro (Apiberj), quem dá o grande exemplo de superação é ela, sobrevivente da Chacina da Candelária e, durante anos, moradora de rua.

SERVIÇO

Arena Dicró — Parque Ary Barroso. Entrada pela Rua Flora Lobo s/nº. Dia 3 de abril, a partir do meio-dia. Telefone: 3486-7643. Grátis.

Fonte: O Globo
Foto: Guilherme Leporace / Agência O GLOBO
Postado por: Raul MOtta Junior