Após seis meses, Teatro Ziembinski reabre com programação diversificada

O Teatro Ziembinski é forte. E resiste. Ao longo dos seus 28 anos de existência, lutou para se livrar da pecha de caveira-de-burro (algo que nunca dá certo), foi carinhosamente acolhido por diversos grupos de teatro que ali se instalaram para promover residências artísticas e passou por pelo menos cinco reformas.

Este mês, mais uma vez ele reabre as portas depois de seis meses sem atividade. No “Zimba”, o público encontrará poltronas, banheiros, aparelhos de ar-condicionado, camarins, teto e um palco novinhos em folha. As obras custaram R$ 180 mil aos cofres da prefeitura, que assumiu o espaço em 1994.

De acordo com o secretário municipal de Cultura, Marcelo Calero, com as reformas, o teatro ganha mais credibilidade entre as companhias teatrais.

— Posso dizer que tudo o que precisava ser feito em termos de reforma de infraestrutura a gente fez. O palco, por exemplo, estava apodrecido e representava um risco. Não há dúvida de que, com essas obras, o local terá condições de receber espetáculos mais sofisticados e com grupos mais experimentes — comenta Calero.

Além da repaginada estrutural, a partir de março o local vai contar com uma nova residência artística, que promete fazer com que o público redescubra e volte a frequentar o teatro.

Criada há oito anos pelo casal de atores Robson Sanchez e Monique Carvalho, a Opsis Soluções Culturais venceu o edital de ocupação do espaço, que tem duração de dois anos. Se tudo der certo, o contrato poderá ser prorrogado por mais dois.

Sanchez promete uma ampla programação.

— Estamos superanimados, pois contamos com diversos parceiros. Queremos apresentar peças de todos os tipos, de comédias e musicais à leitura dramatizada, e para diferentes faixas etárias — diz Sanchez, que pretende mostrar trabalhos de artistas novatos e consagrados. — Nosso objetivo é diversificar. Opsis é um termo grego que significa visão do encenador. E o grande diretor teatral é aquele que vê diversas possibilidades.

Caras novas. Robson Carvalho e Monique Carvalho da Opsis Soluções Culturais, que ficará por dois anos na residência do teatro – Ana Branco
ALÉM DOS ESPETÁCULOS

Além dos espetáculos, a companhia oferecerá 140 vagas em oficinas de teatro, de dança, de circo e de música para crianças e jovens do entorno. Também haverá atividades na praça que fica ao lado.

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— Nossa ideia é promover atividades de teatro de rua, a fim de deixar claro para o público que o Zimba voltou. Fizemos o mesmo no Teatro Glauce Rocha, no Centro, e deu certo — diz Sanchez.

A programação começa no dia 11 de março com o musical “Ruba canta Cazuza”, em homenagem ao cantor, e o espetáculo “Cartas de Rodez”, do grupo Amok Teatro.

Antes , porém, o público terá a chance de assistir a uma única apresentação do monólogo “A casa dos budas ditosos”, com Fernanda Torres. A apresentação será no próximo dia 25, às 20h30m. Os ingressos custarão R$ 20 (inteira) e estarão à venda no dia 24, a partir das 14h, na bilheteria do teatro.

Fernanda Torres vai reinaugurar teatro com o Monólogo ‘A casa dos budas ditosos’ – Divulgação
— Não poderia ser melhor. É um presente para nós termos este espetáculo como parte da transição — comemora Sanchez.

A diretora artística Monique Carvalho diz que outra prioridade é fazer do Ziembinski, mais do que um teatro, um ponto de cultura, com diversas atividades.

— O carro-chefe, sem dúvida, serão os espetáculos. Mas queremos ir além e transformar o espaço num local aberto aos moradores da Tijuca e do entorno. Haverá ainda cafés culturais e uma biblioteca comunitária. Já temos quase 200 livros e estamos abertos a mais doações. São ações como estas que ajudam a reaquecer o Zimba. Serão dois anos de plena atividade — comenta Monique.

Ocorrerão também programações especiais, como a maratona cultural, entre agosto e setembro. Durante o evento, serão apresentados espetáculos variados diariamente.

— Também quero ressaltar que traremos muitos festivais para o Ziembinski, pois entendemos que é uma oportunidade para o jovem artista mostrar o seu trabalho. É nesse momento que ocorrem os intercâmbios culturais. Entre os eventos estão festival de cenas curtas, de dança, da nova canção e de teatro de rua — diz ela.

IDEIA DE WALMOR CHAGAS

O diretor Zbigniew Ziembinski com Walmor Chagas – Acervo O Globo
O Teatro Ziembinski (Rua Heitor Beltrão s/nº, Tijuca. Tel.: 2254-5399) foi idealizado pelo ator e diretor Walmor Chagas (1930-2013), que chegou a tirar dinheiro do próprio bolso para erguer o espaço. Depois de dois anos de obras, ele foi inaugurado no dia 6 de abril de 1988.

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O objetivo era que o local fosse usado como um polo difusor de peças nacionais, que sediasse uma companhia e que levasse à Tijuca mais opções de cultura.

O nome do teatro foi dado em homenagem a Zbigniew Ziembinski (1908-1978), ator e diretor polonês que veio para o Brasil durante a Segunda Guerra Mundial e que foi responsável por uma importante renovação no teatro brasileiro. Na opinião de Walmor Chagas, Ziembinski, apesar de ser europeu, foi quem de fato descobriu o verdadeiro teatro brasileiro. Segundo o ator, antes dele era preciso saber atuar em peças estrangeiras para provar que era possível fazer teatro de verdade. De acordo com Walmor, foi o polonês quem quebrou o estereótipo.

No entanto, cansado de lutar contra a falta de verbas, em 1993 Walmor Chagas acabou alugando o espaço para a prefeitura, que assumiu o local um ano depois.

Fonte: O Globo
Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior