Aos 18 anos, Evelyn já tem uma profissão, da qual se orgulha muito: é fotógrafa. E é com uma câmera na mão que ela, vez ou outra, ajuda nas contas em casa. A jovem mora na comunidade de Antares, em Santa Cruz, com o pai, pedreiro, e a mãe, dona de casa. A poucos quilômetros dali, em Bangu, vive Andrey, da mesma idade, e que tem algo mais em comum com Evelyn. A dupla, que mal conhecia a Zona Sul e o Centro da cidade — “pensei que fossem lugares que só a elite frequentava”, admite Andrey —, passou os últimos meses percorrendo as regiões, que serviram de locação para o Na Pista, projeto audiovisual que reúne principalmente ex-internos do Departamento Geral de Ações Sócio Educativas (Degase) e adolescentes assistidos pela Fundação para a Infância e Adolescência (FIA). Evelyn, por exemplo, já fez cursos na FIA, mas Andrey soube do programa por meio de amigos e pediu indicação para uma vaga.
NOVIDADES NO DIA 22
Após um ano de bons resultados — foram mais 50 vídeos postados na página do grupo no Youtube —, o programa perdeu seu principal patrocinador, conforme antecipou Ancelmo Gois, em sua coluna no GLOBO. No entanto, diante da falta de recursos, sobraram ideias. O Na Pista será transformado em empresa e produzirá vídeos sob encomenda. Uma coisa já é certa: o nome será mantido. Outros detalhes sobre o projeto só serão anunciados dia 22, no Museu do Amanhã, quando a equipe se despedirá do antigo formato e dará boas-vindas ao novo empreendimento.
O Na Pista é um desdobramento do TV Degase, projeto criado há sete anos pelo psicopedagogo Eduardo Caon e que oferece atividades multimídia para quem está cumprindo medidas socioeducativas:
— O projeto foi a forma que encontramos de os meninos, após cumprem a medida socioeducativa, não voltarem para ou tráfico ou para outra atividade ilegal. Muitos sustentam a família e vivem em meios desestruturados, precisam de assistência.
Quando o Na Pista foi criado, a Nacional Gás, empresa que já atuava no Degase, enxergou o potencial do grupo e, durante um ano, investiu R$ 75 mil na turma. A verba cobria a metade do orçamento da equipe, que precisava de recursos para equipamentos, transporte e alimentação. Cada jovem participante tinha direito a uma bolsa de R$ 320. Mas, para eles, o melhor do projeto era ter a oportunidade de conhecer gente nova, como políticos, diretores de instituições de ensino e de ONGs, além de poder visitar áreas de lazer e de cultura na cidade.
— O projeto resgatou a minha vontade de evoluir novamente — disse Thamires Alves, que passou seis meses no Degase e hoje atua no projeto.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior