Elementos tidos como masculinos e femininos são usados na mesma obra. Em um tecido florido, com babado na borda, uma arma é desenhada com pano, miçangas e bordados, combinando rigidez e força a delicadeza e beleza. A exposição “Almofadinhas|Experiência B”, em cartaz no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea até 6 de julho, mescla peças dos três artistas do coletivo Almofadinhas a obras do Bispo.
Fábio Carvalho, do Rio de Janeiro; Rick Rodrigues, do Espírito Santo; e Rodrigo Mogiz, de Minas Gerais, partiram do que suas criações têm em comum: o bordado. O coletivo tem como mote ressignificar conceitos culturais. A começar pelo nome, tirado de um concurso realizado em Petrópolis, ao final da Primeira Guerra, para premiar o homem que melhor se saísse ao bordar e pintar almofadas. Nas obras, os desenhos, feitos à mão, se contrapõem a imagens e objetos presos aos tecidos, observa Carvalho.
— Trazemos os conflitos do macho perfeito com o feminino, colocando os dois juntos. Ainda se questiona o homem que tem delicadeza e vulnerabilidade e a mulher com força e coragem — diz o artista.
Carvalho e Mogiz se conheceram em 2009. Rodrigues encontrou a dupla durante uma pesquisa acerca da representação social do bordado e sua aplicação em obras de arte, em 2015, mesmo ano da fundação do coletivo. A exposição foi criada durante uma residência artística na Casa B, da Escola Livre de Artes do museu, sendo a segunda do grupo. A primeira foi no ano passado.
Os ambientes da mostra são divididos como numa casa: quarto, sala de estar, entrada e jardim. As obras dos Almofadinhas e do Bispo se complementam nos espaços.
— Peguei um casaco, acrescentei condecorações, medalhas, moedas e insígnias, e a obra ficou semelhante a uma do Bispo do Rosário. Na parede, usei fotos de marinheiros da Segunda Guerra e coloquei bordados e flores, para quebrar essa imagem. Botei os quadros perto dos nomes de companheiros dos tempos da Marinha dos quais o Bispo se lembrava. É como se desse rosto a eles — conta Carvalho.
A diretora-geral do museu, Raquel Fernandes, completa:
— O Bispo inspirou uma gama de artistas porque misturou elementos. A arte contemporânea rompe com as categorias.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior