A proliferação de placas com produtos em promoção na fachada das lojas dá o tom de urgência que toma o comércio da Avenida Marechal Floriano, no Centro. Com a retomada das obras da Linha 3 do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a via terá um novo trecho interditado a partir das 22h de amanhã, entre as ruas Camerino e Uruguaiana. Por conta disso, trajetos de ônibus serão alterados, o tráfego de veículos passará de quatro para apenas uma faixa e as calçadas sofrerão um estreitamento. Lojistas preveem uma queda de 70% no fluxo de clientes.
O cálculo é baseado na experiência de quem trabalha em locais que já receberam o VLT, um sistema que, apesar das críticas do comércio, caiu nas graças de cariocas e turistas, transportando uma média de 65 mil passageiros por dia. Em janeiro, dois quarteirões da mesma Marechal Floriano, entre a Avenida Tomé de Souza e a Rua Camerino, foram interditados. Desde então, segundo a associação comercial da área, três lojas da área faliram. Na Rua Sete de Setembro, onde a Linha 1 foi inaugurada dois anos atrás, havia ontem 15 estabelecimentos fechados, sendo que a maioria encerrou as atividades durante as obras.
A Linha 3 do VLT começará na Central do Brasil e terá três estações: Duque de Caxias (na Praça Cristiano Otoni), Camerino (próxima à rua de mesmo nome) e Santa Rita (que ficará na última quadra da Avenida Marechal Floriano). Seus trilhos se unirão aos da Linha 1, entre as estações São Bento e Candelária, facilitando a vida de quem segue para o Aeroporto Santos Dumont.
ACERVO O GLOBO: O Rio de volta aos trilhos – dos bondes ao VLT
Pelo projeto, duas das quatro faixas da Avenida Marechal Floriano serão ocupadas por trilhos do VLT. As demais (uma em cada lado da pista) manterão o fluxo atual: uma no sentido Avenida Rio Branco e a outra, na direção da Central. Com o estreitamento, ônibus deixarão de passar pela via.
— Não me surpreendo se houver fechamento de mais lojas na região. Queríamos alguma contrapartida, como isenção de IPTU até a conclusão das obras, mas ninguém pensa no comércio — reclamou Roberto Cury, vice-presidente do Sindicato dos Lojistas do Rio e proprietário da centenária Mala Ingleza.
Outros comerciantes não economizam críticas ao projeto. As reclamações incidem principalmente sobre a duração das obras.
— A Rua Sete de Setembro não é mais a mesma. Antigamente, motoristas conseguiam estacionar para fazer desembarque de mercadorias. Isso acabou. Hoje, até para os pedestres está difícil. Quem tem prioridade é o VLT, que passa rente à minha loja — disse Luiz Ribeiro, dono da Alçapão Pet Shop.
‘Não me surpreendo se houver fechamento de mais lojas. Queríamos alguma contrapartida, mas ninguém pensa no comércio’
– ROBERTO CURY
Vice-presidente do Sindicato dos Lojistas do Rio
Bruna Adur, subgerente da loja Vigo Hair Style, também na Sete de Setembro, fez coro:
— A obra demorou muito, a calçada ficou muito estreita e, por causa da dificuldade de acesso, as pessoas acabaram mudando de hábito. Com a crise econômica e a insegurança, piorou tudo.
Sócio da tradicional confeitaria Casa Cavé, na mesma via, Henrique Bernardo afirmou que as obras do VLT provocaram uma queda de 60% no movimento, que não foi recuperado após a conclusão dos trabalhos:
— A obra demorou mais do que o planejado e restringiu a passagem de pedestres.
O consórcio VLT Carioca informou que a nova etapa da Linha 3 alcançará a Avenida Rio Branco no próximo mês e que mais de 200 funcionários trabalharão em até três turnos. Além disso, ressaltou que “o período de obras gera impactos que são revertidos em benefícios futuros, seja para usuários ou para a comunidade do entorno”. A empresa também lembrou que a parada Colombo, na Sete de Setembro, está entre os três pontos de maior movimento do sistema.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior