O RioHarpFestival, que transforma o Rio na capital mundial das harpas, retorna hoje à cidade para a 13ª edição, com 32 artistas de 16 países. O evento, que terá apresentações gratuitas até 3 de junho em lugares como CCBB, Forte de Copacabana, Ilha Fiscal, Iate Clube e Jockey Club, até reuniria mais atrações internacionais, mas, conforme divulgou Marina Caruso em sua coluna no GLOBO, representantes da Holanda, da Rússia e da Alemanha, que já participaram do festival em outras ocasiões, desistiram de carimbar seus passaportes devido à crise na segurança do estado. Músicos dos Estados Unidos, do Canadá e da Bélgica também chegaram a recusar o convite, mas os consulados desses países conseguiram reverter a situação a tempo.
‘PORTA ABERTA PARA O MUNDO’
Também devido à violência, não serão realizadas apresentações em comunidades do Rio. Em edições anteriores, houve apresentações nos complexos do Alemão e da Maré, na Rocinha e no Pavão-Pavãozinho. Este ano, serão os músicos das favelas que irão tocar com os convidados, nos espaços culturais da cidade. A iniciativa é para que seja mantido o tradicional intercâmbio, importante para músicos consagrados e jovens iniciantes, como os da Camerata Uerê, da Maré.
— Ano passado, foram 159 dias de tiroteios na nossa porta. Para eles, que moram na parte mais violenta da Maré, participar disso é uma porta aberta para o mundo. O músico mais novo tem 9 anos — contou a artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, coordenadora executiva do projeto.
De hoje até quinta-feira, irão se apresentar no CCBB o argentino Athy, o mexicano Baltazar Juarez e a francesa Claire Le Fur, do grupo Les Alizés.
— Athy, que fez um concerto heavy metal com a gente no ano passado, apresentará um programa esotérico, com uma harpa de cristal única no mundo. Segundo ele, os cristais trazem uma energia interessante para a música — explicou Sergio da Costa e Silva, diretor do projeto Música no Museu, que promove o festival. — Já Claire Le Fur desceu ao fundo do mar com uma harpa de borracha. No palco, será projetado o filme dessa apresentação, enquanto ela repete os movimentos.
Ecletismo é a palavra-chave do evento, que mistura jazz, heavy metal e ritmos europeus e latino-americanos. Para Sergio, a harpa, que era uma excentricidade em épocas passadas, mostra-se relevante nos dias de hoje:
— É um instrumento caro. O básico custa em torno de R$ 40 mil. Com isso, deixamos a harpa na frente do palco, fazendo com que ela seja mais conhecida. Existem poucos harpistas no Brasil.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior