No lugar do ronco dos motores, o barulho de rodinhas metalizadas deslizando no asfalto de uma ladeira sem tráfego na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. Ali, carrinhos de rolimã misturam saudosismo com adrenalina a cada descida, resgatando uma brincadeira dos tempos de criança de muitos pilotos. Mas há gente de todas as idades.
O grupo Loucos do Rolimã surgiu há seis meses, por iniciativa dos amigos André Motté e Cristiano Joia, e se reúne no local todo último domingo do mês para se aventurar em manobras, bater papo e desfilar originalidade em carrinhos personalizados. No último encontro, cerca de 40 participantes aproveitaram o dia para conhecer ou reviver a brincadeira. No próximo encontro, o quinto, previsto para o próximo domingo, a expectativa é atrair pelo menos 60 pessoas.
O movimento tem ganhado cada vez mais adeptos. Alguns conhecem o grupo através da página no Facebook; outros, por indicação de participantes, enquanto uma terceira parcela descobre a brincadeira por acaso. Foi assim com Sérgio Gil. O morador de Jacarepaguá passava a pé pela Colônia, viu a movimentação e foi conferir o que estava acontecendo. Era o segundo encontro do grupo, realizado em fevereiro, e o fez relembrar a infância.
— No meu tempo de moleque, eu andava direto na Gardênia. Tinha umas ladeiras mais longe de casa. Como eu morava numa rua plana, um amigo empurrava o outro no carrinho. Eu ainda tinha as rodinhas guardadas, porque queria fazer um carrinho para os meus filhos. Quando vi o grupo, acabei construindo o meu — conta Gil.
A madeira, matéria-prima dos veículos dirigidos com os pés (ou com as mãos, nas manobras mais ousadas), ganha formatos e cores diferentes, além de elementos como almofadas, encostos acolchoados e adesivos. Quem não tem um rolimã também pode se divertir. Os participantes ensinam o que fazer e emprestam seus carrinhos. Alguns chegam a levar um a mais para multiplicar a diversão.
A inclinação da pista na Colônia é suficiente para proporcionar uma velocidade de quase 40 quilômetros por hora. Por isso, é recomendado uso de capacete, luvas, tênis e calça comprida. As crianças devem estar acompanhadas de um responsável.
Um dos colaboradores mais ativos — e não só na ladeira —, o ourives e músico Ycaro Alexandre Diniz, o Xandão, foi um dos primeiros a integrar o Loucos do Rolimã. Ele e o amigo Alexandre Dias, o Papa Léguas, conheceram o grupo pelo Facebook e logo começaram a preparar seus carrinhos. O de Papa Léguas tem uma almofada enfeitada com um adesivo da marca de brinquedos Estrela. O de Xandão homenageia a música e tem formato de guitarra.
— Assim que soubemos do grupo começamos a criar nossos carrinhos, ter ideias e trocar dicas. Como eu faço parte de uma banda, quis reunir as duas paixões. Toco bateria, mas não foi possível fazer um carrinho nesse formato. Bem, não ainda — diverte-se. — Reunimos uma galera muito bacana. Recebemos um convite do Rolimã Brasil e agora estamos nos preparando para viajar e encontrar outros grupos.
A mulher de Xandão, Renata Medeiros, acompanha o marido nos encontros. Porém, é mais pé no chão: costuma andar de patins na ladeira antes que os carrinhos tomem conta do espaço.
Até o supervisor regional da Colônia, Alan Mello, aderiu à brincadeira.
— Soube do grupo quando me procuraram dizendo que tinham interesse em fazer o evento aqui. Essa é uma brincadeira que eu mesmo fazia muito quando criança, e o evento tem ficado cada vez mais cheio — diz Mello, que pretende incrementar os encontros. — Estamos planejando oferecer outras brincadeiras infantis no sábado que antecede os eventos, para trazer as crianças para a rua.
+ INFO
5º encontro de descida do Loucos do Rolimã: domingo, dia 29/4, às 9h30m, na Colônia Juliano Moreira.
Grátis.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior