Chuva e vento causaram recorde de árvores tombadas no Rio, chegando a 1.832 perdas

Um recorde foi batido no temporal que abalou a cidade semana passada, mas não há motivos para comemorar: 1.832 árvores tombaram com a força dos ventos e das chuvas, desfalcando praças e ruas de bairros da Zona Norte e Zona Oeste. O número de quedas foi o maior registrado desde 2008, quando a Comlurb assumiu o trabalho de podar árvores em áreas públicas, até então sob responsabilidade da Fundação Parques e Jardins (FPJ).

O bairro mais afetado foi a Ilha do Governador, que teve 258 arrancadas de calçadas e praça (em segundo lugar veio a Penha, com menos 97 árvores, e Jardim Sulacap, com 60). Quem circulava pela Ilha do Governador na última semana podia ver montinhos de galhos e canteiros vazios por todos os lados. Além de homens da Comlurb retirando troncos e limpando vias. Os moradores ainda tentam se acostumar com o cenário de devastação, já que todas as ruas pelo menos uma árvore — entre amendoeiras, ficus, flamboyants e palmeiras — veio abaixo. Nas ruas Breno Guimarães e José Rangel, no Jardim Guanabara, a imagem do dia seguinte ao da tempestade (um grande emaranhado de galhos e fios ) ainda ficou marcada na memória dos vizinhos.

— Moro aqui nesta casa desde 9 anos e meu pai ajudou a plantar muitas das espécies desta praça. Ela ficou irreconhecível no dia seguinte à chuva. Uma tristeza. Na minha opinião, além da tempestade, a falta de podas regulares agravou o problema — lamentou Silvia Couto, de 60 anos, moradora da Rua Breno Guimarães.

Silvia Couto lamenta a queda da amendoeira no bairro Jardim Guanabara, na Ilha do Governador – Ana Branco / Agência O Globo
A urbanista Andréa Queiroz, da Associação Brasileira de Arquitetos e Paisagistas, ressalta que numa cidade a árvores têm a importante função de manter a qualidade climática, atuando na diminuição das ilhas de calor e na drenagem urbana. Mas ela destaca que é preciso respeitar as características de cada espécie na hora da poda, para que a árvore não fique enfraquecida e mais sujeita a quedas.

A Comlurb fez um levantamento das ruas que mais tiveram árvores derrubadas. Na Estrada Governador Chagas Freitas, no Moneró, na Ilha, foram 38 quedas; no Corredor Esportivo, também no Moneró, 30, e na Avenida Brasil, 27. O trabalho de retirar das árvores da cidade, diz a Comlurb, foi uma estratégia de guerra. Uma tropa de 300 homens especializados em corte de árvores saíram às ruas com 88 motosserras e nove equipamentos de poda mecanizada. Segundo a Comlurb, eles trabalharam em dois turnos. E agiram em conjunto com equipes da Light.

Segundo a Fundação Parques e Jardins (FPJ), o replantio das quase 1.900 árvores da cidade pode demorar seis meses. Primeiro será necessário a Comlurbfazer a limpeza dos canteiros e a retirada das raízes, e só depois a FPJ vai vistoriar os endereços e avaliar se novas espécies serão plantadas. De acordo com a FPJ, só se viu um volume tão grande de árvores caídas em 2002, quando 2 mil foram arrancadas durante uma chuvarada num feriado de sete de setembro.

Árvore caída no Rio Maracana não foi totalmente retirada pela prefeitura – Alexandre Cassiano / Agência O Globo
— A cidade tem aproximadamente 1 milhão de árvores. E há uma grande diversidade de espécies. Mas temos a preocupação de não repetir erro e replantar árvores que dão problemas, com raízes que rompem calçadas, ou que soltam folhas muito grandes, entupindo bueiros, como as amendoeiras ou as figueiras. Temos plantado muito Pau Brasil, Jequitibá, Ipê, Pau Ferro — explica.

Respostas da Comlurb

A Comlurb informou que, ao remover a árvore que caiu, devido ao temporal da semana passada, na Rua José Rangel, Jardim Guanabara, verificou que outras árvores necessitam de poda. “Os engenheiros vão vistoriar os vegetais e programar o atendimento.” E que a Rua Breno de Guimarães também será incluída na programação. Segundo a Comlurb, as podas vem sendo feitas nesta rua regulamente nos dois últimos anos.

A empresa disse, ainda, que “mantém uma equipe de engenheiros agrônomos e florestais que avaliam todas as demandas de poda de árvores” Além disso todos “os garis que atuam nesta área são treinados para o manejo arbóreo e dispõem de equipamentos para realização do trabalho. Todos os serviços são feitos após vistoria técnica e são realizados obedecendo laudo de manejo definido por orientação dos engenheiros.”

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior