Portela e Mocidade fazem ensaio técnico na Marquês de Sapucaí

Na primeira e única noite de ensaios técnicos no Sambódromo, na noite deste domingo, a tradicional cerimônia ecumênica da lavagem da pista pareceu bem adequada. Com água de cheiro, arruda, aroeira, flores e defumador, cerca de duas mil baianas fizeram o ritual para espantar o mau agouro e abrir os caminhos para o carnaval que, combalido, sofreu com cortes de verbas, interdições dos barracões na Cidade do Samba, ameaça de suspensão dos desfiles do Grupo Especial e o fim dos ensaios técnicos.

— Num ano em que o samba está tão perseguido, que a intolerância religiosa está tão marcada, essa lavagem se torna mais emblemática para marcar a união dos sambistas. Não adianta guerra santa. Só adianta respeito e união para que o carnaval possa continuar — disse o carnavalesco Milton Cunha.

A noite teve a presença de nomes ligados ao samba como Dudu Nobre, Marcelo Negrão, Jorge Perlingeiro e a cantora Alcione, que cantou o clássico “Não deixe o samba morrer”. E a ocasião não deixou dúvidas de que o samba não vai mesmo morrer. Vestindo as cores de suas escolas, o público retomou o seu berço esplêndido. Nas arquibancadas lotadas a sensação era de alívio e alegria.

— O fim dos ensaios técnicos foi uma grande maldade com as escolas e, principalmente, com o público. Sou Portela de coração e hoje vim aqui com meus amigos e com a minha família prestigiar a minha escola — contou a aposentada Maria Lúcia Siqueira, de 65 anos.

Além da lavagem da Passarela do Samba, a noite também foi marcada pelos ensaios técnicos das duas escolas campeãs de 2017. A Portela, com o enredo “De Repente de Lá Pra Cá e Dirrepente de Cá Pra Lá…”, desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães, e Mocidade Independente de Padre Miguel, que traz em 2018 o enredo “Namastê… a estrela que habita em mim saúda a que existe em você”, arrastaram milhares de foliões que estavam com saudades de acompanhar os desfiles na Sapucaí.

LAVAGEM DO SAMBÓDROMO E ENSAIOS TÉCNICOS

No início do ensaio técnico da Mocidade, alguns componentes da agremiação informaram no microfone que estavam tendo problemas com o som. Foi o suficiente para que o público iniciasse uma série de xingamentos ao prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Em coro, a plateia da Marquês de Sapucaí gritou “Fora, Crivella!”. O ensaio da Portela contou com a presença de integrantes das outras escolas do Grupo Especial, que não puderam ensaiar este ano.

Na ocasião, também foram realizados testes de luz e som. Técnicos da Rioluz avaliaram os 451 projetores das 41 torres do trajeto, além dos 45 projetores de LED instalados, sendo 41 nas torres e 4 no recuo da bateria. Além disso, a área do entorno também foi vistoriada. Os 73 projetores instalados nas vias de acesso, na concentração, dispersão e também nas arquibancadas populares, bem como 34 projetores dos 5 postes em frente ao setor 1 e as 6 subestações de energia foram avaliadas pela equipe técnica.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior