Entre o final do século XIX e o início do século XX, antes de as escolas de samba transformarem o carnaval carioca numa festa famosa no mundo inteiro, as agremiações que predominavam no Rio de Janeiro eram os ranchos, que tinham entre seus membros compositores como Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Anacleto de Medeiros e Bonfiglio de Oliveira. Nos anos 2000, uma turma de amigos, frequentadores do bar Bip Bip, em Copacabana — famoso reduto musical da cidade —, resolveu resgatar essa tradição, criando o Rancho Flor do Sereno, que se apresentou até 2013. A partir daí, as atividades ficaram paralisadas por quatro anos devido à falta de apoio e ao aumento das exigências para o carnaval de rua. O retorno veio no ano passado, com “O carnaval de Pixinguinha”, que entra mais uma vez em cartaz na Casa do Choro, no Centro, até a semana que vem.
Com direção musical dos irmãos Pedro e Paulo Aragão, o show é comandado pelos cantores Pedro Miranda, Pedro Paulo Malta e Nina Wirtti. No repertório, polcas, maxixes, tangos brasileiros, sambas e marchinhas marcantes.
— A temporada do ano passado foi um sucesso. Para este ano, retornamos com algumas novidades, como o clássico “Eu dei”, famoso na voz de Carmen Miranda — afirma Pedro Aragão.
O espetáculo tem o mesmo nome de um trabalho de resgate de composições de Pixinguinha feito por ele e seu irmão, ao lado de Bia Paes Leme e Marcílio Lopes, lançado no formato de uma caixa de partituras pelo Instituto Moreira Salles.
— Muita gente não tem ideia da relação de Pixinguinha com o carnaval. Ele deu formato à sonoridade do samba e da marchinha, levando para os estúdios de gravação a sua experiência como diretor de ranchos carnavalescos, em arranjos para estrelas da época, como Francisco Alves, Mário Reis, Carmen Miranda ou Silvio Caldas — ressalta o diretor musical.
A temporada deste ano presta, ainda, uma homenagem ao compositor Elton Medeiros, que, aos 87 anos, foi um dos idealizadores do Flor do Sereno.
O grupo chegou a lançar um disco, em 2007, com clássicos de ranchos como Ameno Resedá e Flor de Abacate, os mais emblemáticos da cidade, além de canções de compositores cariocas da atualidade.
Quartas e quintas, às 19h, na Casa do Choro (Rua da Carioca 38, Centro. Tel.: 2242-9947). R$ 40. Livre. Até o dia 8.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior