A nova polêmica do carnaval de rua envolve o apoio financeiro que blocos estão recebendo de patrocinadores não-oficiais da folia. Amanhã, a prefeitura divulgará uma portaria para alertar que a publicidade durante os desfiles — seja por meio de anúncios em carros de som ou da entrega de brindes ao público — só poderá ser feita mediante o pagamento prévio de taxas ao município, que terá liberdade para não permitir a licença e até aplicar multas, em caso de descumprimento da decisão. A advertência vale para os blocos e para as empresas que investem na festa.
Essa é a primeira vez que a medida é tomada. Em anos anteriores, a prefeitura apenas notificava os blocos, sem multas. Um dos objetivos da fiscalização é combater o chamado “marketing de emboscada”. No fim de semana, o alvo foi a cervejaria Amstel, que recebeu 59 multas, totalizando R$ 43,8 mil, por exibir cartazes em bancas de jornais nas proximidades de locais de desfiles.
A prefeitura não autorizou a exibição das peças da Amstel, pois a cervejaria Ambev é uma das patrocinadoras oficiais. O município argumenta ainda que os maiores blocos da cidade terão patrocínio no valor total de R$ 2 milhões, vindos da própria Ambev. Em nota, a Heineken Brasil (fabricante da Amstel) informou que não foi notificada e, por isso, preferiu não comentar o caso.
O preço de uma licença atualmente é variável e depende de uma série de detalhes, como o tamanho de cada peça publicitária.
— Nós apenas estamos cumprindo a lei. Para exibir publicidade em via pública é preciso pagar as taxas e obter a licença. Mas é preciso observar que, mesmo assim, a decisão final cabe à prefeitura. A análise leva em conta que existem patrocinadores oficiais da Riotur investindo na festa. Claro que algumas situações, em regra, nem sempre configuram publicidade. Este é o caso, por exemplo, de marcas exibidas em camisetas. Os blocos podem ter suas despesas para desfilar. Mas o poder público também tem. São 1,1 mil servidores trabalhando nas ruas para apoiar os desfiles — disse o coordenador de Licenciamento e Fiscalização da prefeitura, Luiz Felipe Gomes.
BLOCOS SE DEFENDEM
Os blocos Se Não Quiser Me Dar Me Empresta (Ipanema) e Banda da Haddock (Tijuca), bem com seus patrocinadores — um deles era a Amstel —, já foram notificados, ontem, por editais no Diário Oficial, com base em informações levantadas pelo setor de inteligência da Coordenação de Licenciamento e Fiscalização da prefeitura. A decisão de apertar o cerco motivou críticas de organizadores da folia, como a presidente da Sebastiana, Rita Fernandes, que representa blocos da cidade:
— A prefeitura não é dona dos blocos. Hoje, as despesas de um desfile são bastante elevadas. Podem chegar a R$ 50 mil, no caso de grupos que atraem mais de dez mil pessoas. Muitas vezes, para obter o dinheiro os organizadores fazem vaquinhas e distribuem rifas. Não creio que o apoio de comerciantes locais vá causar problema para patrocinadores oficiais.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior