A Central do Brasil, por onde 600 mil pessoas passam diariamente, vai ganhar um shopping com 276 lojas, cinemas e um hotel três estrelas com 200 quatros. Depois de quatro anos de negociações, o governador Luiz Fernando Pezão assina hoje um aditivo ao contrato de concessão da SuperVia que vai permitir a construção de empreendimentos comerciais em estações ao longo da linha férrea.
A previsão da concessionária é que sejam investidos R$ 300 milhões no complexo com 35 mil metros quadrados. O shopping será erguido sobre as plataformas dos trens, enquanto o hotel, ao lado do histórico prédio da Central. Na segunda-feira, a prefeitura liberou a primeira licença ambiental da obra.
— Já desenvolvemos um projeto básico (conceitual). Agora, ele será detalhado. A expectativa é começar as obras no último trimestre de 2018 — disse o presidente da SuperVia, José Carlos Prober.
A concessionária desenvolverá o projeto com o grupo Saga Malls. O estado terá uma comissão sobre a exploração da área correspondente a 25% da receita bruta ou 50% do lucro líquido. A obra deve ficar pronta em 2020.
SUPERVIA QUER EXPANDIR IDEIA PARA A BAIXADA
O presidente da SuperVia, José Carlos Prober, explicou que o novo aditivo ao contrato tem o objetivo de dar garantia jurídica aos investidores do projeto na Central do Brasil, ao prever que eles serão indenizados caso o estado decida reassumir a administração do sistema ferroviário antes do previsto. O empreendimento será explorado pela iniciativa privada até 2049, quando vence o contrato de concessão entre o estado e a concessionária. A SuperVia também pretende construir shoppings junto às estações de trem de Nilópolis e Nova Iguaçu.
Como o prédio da Central do Brasil é tombado, o Iphan está acompanhando o andamento do projeto. A SuperVia negocia com o órgão uma espécie de contrapartida para compensar o impacto urbanístico do empreendimento. A proposta da concessionária é restaurar a estação da Central.
— Esperamos que o empreendimento ajude na revitalização do entorno da Central. A própria localização do hotel ajudará na ocupação, devido à facilidade de acesso aos transportes públicos. O entorno tem estações de metrô e VLT e terminais de ônibus — disse o presidente da SuperVia.
Para a realização das obras, as plataformas de embarque e desembarque serão ampliadas em 25 metros, aumentando também a área de circulação na gare. Os quiosques existentes no saguão do prédio serão remanejados para as plataformas. A cobertura do shopping será translúcida, o que permitirá ao frequentador ter uma visão parcial do relógio da Central.
CENTRO DE CONVENÇÕES
O grupo Saga Mall informou que também planeja construir um centro de convenções anexo ao hotel. A empresa fez estudos de viabilidade econômica que traçaram o perfil dos frequentadores do entorno da Central. A análise concluiu que eles têm renda mensal média de R$ 4,3 mil.
O plano da SuperVia não tem relação com o projeto do prefeito Marcelo Crivella, que pretende construir centros comerciais e prédios residenciais sobre a linha férrea em uma parceria público privada, ainda sem data para sair do papel. A proposta, que tem o apoio de investidores russos, prevê ocupar o eixo ferroviário do Maracanã até a Avenida Presidente Vargas. O município já lançou um edital convocando interessados em desenvolver o projeto, sem ônus para a prefeitura.
Prober contou que representantes da SuperVia e do Metrô Rio já se reuniram com Crivella para discutir a proposta. Ficou acertado que as duas empresas vão acompanhar o projeto para avaliar se as intervenções vão afetar a circulação.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior