Moradores de Laranjeiras fazem reunião para discutir instalação de guarita em rua do bairro

A retirada da guarita que estava sendo instalada na noite de segunda-feira em Laranjeiras, na esquina das ruas General Glicério, Professor Ortiz Monteiro e General Cristóvão Barcelos, não desmobilizou os moradores da região, que fizeram uma reunião no local, na noite desta terça-feira. Mais de cem pessoas compareceram, a maioria convocada pelas redes sociais. Mais de 20 deram depoimentos, todos contra a contratação de segurança privada para a área. Entre os motivos alegados, temem represálias caso queiram encerrar o contrato e dizem que botar agentes particulares na rua não acabará com a violência que assola todo o estado. No fim do encontro, o grupo decidiu fazer novas reuniões, mobilizar mais moradores e, caso seja necessário, tomar medidas jurídicas para evitar que a cabine volte a ser instalada.

Durante a reunião, mesmo moradores que já sofreram assaltos no bairro discursaram contra a presença de seguranças. Alguns questionaram uma recente onda de violência na região:

– A cidade passa por uma onda de violência, mas o aumento de criminalidade aqui é esquisitíssimo. Tem assalto, arrastão, coisas que nunca ocorreram. E aí, do nada, surge uma empresa para ser salvadora. E quando não quisermos mais essas pessoas aqui? Quem vai tirá-las daqui? – disse um morador da Ortiz Monteiro, que prefere não ser identificado.

Morador da General Glicério, Daniel Mendes questionou a autoridade de síndicos que teriam autorizado a instalação da guarita:

– Não reconheço a figura de um síndico para falar por mim numa questão que extrapola o prédio. Eu me recuso a fechar a rua.

Durante a reunião, os participantes contestaram a informação de que 40 síndicos teriam autorizado a atuação da empresa. Segundo eles, na noite de segunda-feira, representantes da firma de segurança não apresentaram os documentos que permitiam o serviço e, ao serem questionados sobre quem autorizou a presença do grupo no local, eles teriam se esquivado do assunto.

Segundo moradores, a empresa foi contatada pelo sindico de um prédio da região, por recomendação de um dono de imóvel que teve a mulher sequestrada recentemente. Na segunda-feira, o homem, identificado como Antônio, teria dito a pessoas insatisfeitas com a situação que, se não quisessem a presença dos seguranças, deveriam ir à Justiça. Representantes da empresa estariam alegando, de acordo com a população, que a cabine seria instalada com base num decreto do prefeito Marcelo Crivella (43039/18.04.2017), segundo o qual se 2/3 dos imóveis da área atingida estiverem de acordo, poderá ser instalada segurança privada. Quem vive na região, no entanto, alega não ter sido consultado.

Fonte: O Globo
Postado por: raul motta junior