Em fevereiro de 2016, O GLOBO-Tijuca publicou uma reportagem que mostrava o abandono e falta de conservação das tamarineiras centenárias do Grajaú, que ficam ao longo das avenidas Engenheiro Richard e Júlio Furtado. Na época, a Fundação Parques e Jardins informou que, após o carnaval daquele ano, iria vistoriar as árvores, junto com a Comlurb. Entretanto, o que se vê é basicamente o mesmo cenário de quase dois anos atrás: proliferação de ervas-de-passarinho (fitoparasitas), raízes expostas, solo compactado e buracos nos caules.
Ao todo são 207 tamarineiras, plantadas quando o bairro estava nascendo, em 1914, e tombadas pelo patrimônio público, pelo decreto 27.830 de 29/11/2006, que lhes dá proteção especial, tornando-as imunes ao corte.
— Os fitoparasitas ajudam a sugar o alimento das árvores, secando, assim, as folhas. Muitas vezes passam despercebidos aos olhos dos leigos, por terem aparência similar à das folhas, na cor verde claro. Mas eles são bastante prejudiciais aos vegetais — afirma Carlos Antônio Inácio, fitopatologista da UFRRJ.
Inácio também criticou o estacionamento nos canteiros centrais (no local há placas de “estacionamento provisório” há quase dez anos).
— Isso ajuda no processo de compactação do solo e impede o real aproveitamento da raiz. Um solo pouco arejado dificulta a absorção de água da chuva e de nutrientes. O contato dos carros com as raízes expostas também prejudica o vegetal — explica ele.
O fitopatologista sugere um procedimento para sanar o problema dos buracos nos caules das tamarineiras:
— No caso de árvores que já atingiram o clímax de crescimento, como é o caso das tamarineiras, os buracos poderiam ser fechados com polipropileno, após raspagem e limpeza do pedaço podre, para evitar que as pessoas joguem lixo e urinem no local. O nome do procedimento é dendrocirurgia. O objetivo é impedir a proliferação de micro-organismos que ajudam no processo de envelhecimento — informa Inácio.
Em nota, a Comlurb informou na segunda, dia 27, que seria realizada na ainda esta semana vistoria com engenheiros florestais/agrônomos para verificar a situação das árvores. E que, após a vistoria, seria solicitada autorização da Fundação Parques e Jardins para o manejo dos vegetais centenários e tombados. Informou ainda que em outubro de 2016 a Comlurb realizou serviços de poda e retirada de ervas.
Até o fechamento desta edição, a CET-Rio não se manifestou com relação ao estacionamento “provisório” que dura quase uma década no local.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior