O número de pessoas com nome sujo no Rio de Janeiro caiu em setembro, em relação a agosto, segundo um estudo da Boa Vista Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). No entanto, o dado não é positivo. Isso porque, segundo Yan Cattani, economista da empresa e um dos autores do estudo, a queda representa o desalento dos consumidores fluminenses diante da grave crise econômica pela qual passa o estado.
— No caso do Rio, a inadimplência cai porque, com a crise, os consumidores conseguiram frear o consumo. Mas frearam tanto que as pessoas pararam de procurar crédito, e isso é ruim, porque não permite que a economia cresça — explicou Cattani.
Tanto no município como no estado do Rio de Janeiro, o número de devedores caiu: 1,1% e 1%, respectivamente. Em comparação com o mês de setembro do ano anterior, a queda é ainda maior, de 10,8% no número de pessoas com nome sujo na praça na cidade.
As médias do Rio são piores que as do país: na passagem de setembro, a Região Sudeste teve uma queda de 0,8%; já o país contabilizou uma média negativa de 0,9%.
Enquanto isso, os números de recuperação de crédito — que representam as pessoas que conseguiram quitar suas dívidas e limpar seus nomes — também caem: 0,8% na passagem do mês, e 19,7% em comparação com setembro de 2016. A média brasileira, por outro lado, apresenta números menos intensos: -0,6% em setembro, e -3% contra o mesmo mês de 2016.
Para o pesquisador, a diferença entre as taxas de inadimplência e de recuperação de crédito, que na base de mesmo mês com ano anterior chega a quase 10%, não é saudável.
— Não pode haver um descompasso tão forte entre essas taxas. O ideal, como víamos em 2012, por exemplo, é quando temos um alto número de inadimplentes e um alto número de recuperação de crédito. Significa que as pessoas consumiam muito, e acabavam se endividando, mas rapidamente conseguiam sair da lista suja — afirmou Cattani, lembrando ainda que o Rio é uma das cidades com pior desempenho do estudo.
— A situação da cidade é muito complicada. Já vivemos com uma perspectiva de juros menores e inflação controlada para o ano que vem, fluxo de renda maior, e desemprego menor. Mas, de maneira geral, a recuperação do Rio já é mais lenta do que outras cidades e estados, por conta de toda a crise própria do estado — concluiu.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior